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Comunidade atua para aliar crescimento e turismo sustentável

Proposta tem como pilares conservação do ambiente, apoio aos negócios locais e valorização a cultura

Publicado quinta-feira, 30 de novembro de 2023 às 07:40 h | Atualizado em 30/11/2023, 07:57 | Autor: Claudia Lessa
Proposta tem como pilares conservação do ambiente, apoio aos negócios locais e valorização a cultura
Proposta tem como pilares conservação do ambiente, apoio aos negócios locais e valorização a cultura -

Destinos com vocação turística onde ocorrem mau gerenciamento do lixo; falta de sinalização que estabeleça os limites da natureza; sobreposição de interesses comerciais à população local; e acesso livre de transportes não cadastrados estão sob a mira do chamado turismo predatório. É contra este cenário que entidades atuantes no Litoral Norte, como o Conselho Municipal de Turismo de Camaçari e a Associação dos Moradores de Guarajuba, levantam questões que julgam importantes para a sobrevivência turística na Costa dos Coqueiros. Para seus representantes, isso só será possível com a união de todos em torno da garantia do turismo sustentável.

Fincada em pilares como infraestrutura por meio de obras públicas e privadas; preservação ambiental; apoio aos negócios locais para geração de emprego e renda; e valorização de projetos culturais locais, o turismo sustentável tem no presidente do Conselho Municipal de Turismo de Camaçari, Patrício Oliveira, um de seus defensores. Ele aposta no ordenamento inclusivo para que o potencial turístico da Costa dos Coqueiros não seja ameaçado. “Nosso lema é ordenar para desenvolver. O Litoral Norte tem um potencial maravilhoso, com 42 km de orla, mas é preciso ordenar em prol do turismo sustentável”, pontua.

O dirigente do conselho ressalta, que é necessário, por exemplo, haver fiscalização na ocupação das praias. “Temos que profissionalizar o turismo na Costa dos Coqueiros. Colocar lixeiras e guardas municipais na orla; fazer o cadastramento de ambulantes e barracas de praia, priorizando os que são da região; regularizar o serviço de transporte turístico para que este ofereça qualidade e segurança aos usuários. Quando se ordena o turismo, agrega, atrai mais visitantes e o lugar se torna bom para os visitantes e os nativos. O turismo é a única fonte de emprego que tem maior impacto social, porque contempla todos os segmentos”, avalia.

Patrício acrescenta que é preciso criar as condições urbanas para educar e cobrar da população um olhar mais cuidadoso para o ambiente natural e social. “É preciso uma melhoria no planejamento do trânsito, embora a Superintendência de Trânsito e Transporte Público (STT) de Camaçari esteja realizando um bom trabalho. Só que, em virtude da falta de ordenamento, acaba se enxugando gelo”. Neste sentido, o conselho se reuniu com o diretor-superintendente do STT, Helder Almeida, a fim de cobrar um planejamento para este verão. “Camaçari está entre as cinco cidades mais ricas do país, então queremos que o nosso município ofereça o seu melhor. Camaçari é cheio de oportunidades, mas precisa ser mais cuidada na questão do ordenamento e ter um olhar mais atento ao turismo de sincretismo religioso, bem como fortalecer os artesãos e criar espaços para a divulgação da arte e cultura locais”.

A Associação de Moradores de Guarajuba (Ascon), que representa 17 condomínios com mais de quatro mil moradores, além de estabelecimentos comerciais, hotéis, pousadas, restaurantes e barracas de praia da localidade até Genipabu, atua na interlocução das pautas da população com o poder público. Dentre estas, explica o presidente da entidade, André Pythom, está o desenvolvimento de Guarajuba em diferentes esferas, como econômica, comercial, social, gestão de empregos diretos e indiretos, segurança e turismo. “O turismo sustentável é a nossa bandeira mais importante, porque temos uma orla maravilhosa, com uma vocação turística natural. Esse turismo cresceu muito com a construção da Estrada do Coco, que trouxe para cá os grandes hotéis, condomínios de alto padrão, promovendo crescimento econômico para a região”, ressalta.

Políticas públicas

Apesar da visibilidade na Costa dos Coqueiros, o dirigente da Ascon reforça a ausência de políticas públicas de ordenamento turístico rumo ao turismo sustentável. “É o que a gente defende: um turismo que concilie desenvolvimento social, geração de emprego e renda e proteção do meio ambiente. E crescimento ordenado só existe com uma plataforma harmônica através da qual todos colaboram. Mas se não houver uma atuação forte das entidades, dos moradores e, principalmente, do poder público para dar o aparato legal de sustentação, todos esses pilares do turismo sustentável caem por terra e toma lugar o turismo predatório, que é extrativista, não gera desenvolvimento, degrada o meio ambiente, provoca insegurança”.

Os representantes das entidades ressaltam que, ainda em relação à falta de regramentos municipais ligados ao setor observada na maioria dos municípios que compõem a Costa dos Coqueiros, uma exceção é Mata de São João. Eles afirmam que a prefeitura enxergou a necessidade de uma regulamentação de regras para o ordenamento do turismo sustentável em Praia do Forte, localidade com visibilidade turística internacional. Em 2021, a administração municipal alterou a Lei nº 298/2007, regulamentando o trânsito de ônibus, micro-ônibus e vans de fretamento turístico intermunicipal ou interestadual, passando a ser permitida apenas a entrada de veículos de empresas ou entidades registradas no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), na Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba).

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