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Por mais um ano, festa junina deixa as praças públicas para se restringir a celebrações familiares

Claudia Lessa

Por Claudia Lessa

17/06/2021 - 6:00 h

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Tradicionalmente nos municípios da Chapada Diamantina as casas são enfeitadas para as festas
Tradicionalmente nos municípios da Chapada Diamantina as casas são enfeitadas para as festas -

O São João 2021 será em casa, como no ano passado. Com as taxas de ocupação dos leitos das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) elevadas na Bahia, chegando até a 100% em algumas localidades, e com a lentidão no recebimento das vacinas contra o coronavírus, os municípios receberam sinal vermelho do governo estadual para as festas juninas. Assim, destinos baianos tradicionais do forró – como Ibicuí, Amargosa, Senhor do Bonfim, Cachoeira, Santo Antônio de Jesus, Piritiba, Mata de São João, Irecê e Juazeiro – não vivenciarão o cenário de praças lotadas típico de anos anteriores à pandemia. A alternativa encontrada por algumas cidades para celebrar o período é promover atividades em formado online, com a participação de artistas locais.

O governo da Bahia estima que o São João movimentaria, este ano, cerca de R$ 550 milhões na economia. Mas, por causa da crise sanitária, o governador Rui Costa anunciou, no mês passado, o cancelamento da programação junina nos 417 municípios. “Não permitiremos a realização de festas de São João em nenhuma cidade ou região da Bahia. Temos que ter responsabilidade neste momento. Fazer festa agora é desrespeitar a vida humana”, disse, em suas redes sociais. Além de emitir decreto proibindo as festas públicas e privadas no período, o governo suspendeu o transporte intermunicipal de passageiros durante as datas festivas, visando limitar ao máximo a circulação de pessoas.

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Com a situação atual da pandemia no estado, os prefeitos baianos entraram em consenso pela não realização dos festejos juninos, como destaca a União dos Municípios da Bahia (UPB). As prefeituras passaram, então, a incentivar a população a celebrar a data em casa, com seu núcleo familiar. É o caso da prefeitura de Juazeiro, que iniciou no último dia 4 de junho, em parceria com a TV São Francisco, o São João DiCasa. O evento virtual, que se repetiu no dia 11 e terá duas novas edições, amanhã e dia 25, está sendo transmitido às 20h pelo site gshow.globo.com/Rede- Bahia/sao-joao-dicasa/.

“As atrações escolhidas são todas locais, e quem quiser poderá participar de uma ação solidária. Durante as lives, um QRcode fica disponível na tela e os espectadores podem fazer doações que irão beneficiar diretamente instituições sociais da região”, explica a prefeita Suzana Ramos.

Em Santo Antônio de Jesus, as duas praças principais e outros pontos da cidade ganharam decoração com a temática #SãoJoãoDendiCasa para imprimir um clima junino. Mas festejos somente virtuais e o auge da programação será no dia 23, por meio de uma live no canal do YouTube da prefeitura, com a participação de músicos locais. Os festejos juninos virtuais tiveram início no dia 5, quando a Secretaria de Cultura, Turismo e Juventude promoveu o festival Plantando esperança para colher alegria em Santo Antônio de Jesus, o melhor São João da Bahia, transmitido do Teatro do Centro Cultural, sem plateia.

O tema se estende à ação da prefeitura neste São João, que é associar a cultura junina aos cuidados necessários neste período de pandemia. “É uma campanha que une saúde e cultura com uma mensagem positiva de enfrentamento à pandemia. Reforçaremos as medidas preventivas junto à população”, explica o prefeito Genival Deolino. Por meio do Comitê Covid, o gestor conta que vem ampliando as ações de fiscalização.

Em Ibicuí, município que promove um São João dos mais concorridos da Bahia e que arrecadaria este ano cerca de R$ 1 milhão, segundo cálculos da prefeitura, não haverá nem mesmo programação virtual. “Não faremos nenhum evento presencial ou online, como orienta o próprio Tribunal de Contas. Nosso foco, no momento, é na contenção do coronavírus”, justifica o prefeito Marcos Galvão, destacando que apenas serão utilizados materiais decorativos dos anos passados como forma de relembrar a data.

Já a prefeitura de Amargosa não realizará eventos online, mas vai incentivar os artistas locais a realizarem lives. “Estamos elaborando edital para apoio financeiro aos artistas locais e, em contrapartida, eles devem apresentar alguma proposta cultural durante o São João. A gestão municipal não poderá fazer eventos virtuais com o patrocínio da prefeitura, por conta da recomendação do Ministério Público e do Tribunal de Contas, que consideram que os municípios não devem gastar recursos públicos para a realização de lives, o que limita a administração promover eventos nesse formato”, relata o prefeito Júlio Pinheiro.

Em Mucugê, cidade da Chapada Diamantina, o São João este ano também não acontecerá nem mesmo em formato virtual. “Acreditamos que qualquer tipo de evento que, direta ou indiretamente, venha causar aglomerações desnecessárias, são desrespeitosos para a vida neste momento tão cauteloso. Por isso, com pesar no coração, informamos que os festejos juninos serão nossas lindas recordações das antigas comemorações”, justifica a prefeita Ana Medrado.

O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Zé Cocá, vinha chamando a atenção para a necessidade de uma alternativa para o cancelamento dos festejos juninos no interior da Bahia. No dia 12 de maio, a entidade enviou à Bahiatursa um ofício solicitando a liberação simplificada de recursos para a realização de lives com cantores e bandas locais. A medida, segundo Zé Cocá, além de incentivar que as pessoas fiquem em casa, pretende auxiliar financeiramente músicos e profissionais de eventos que ficaram sem renda na pandemia. “Os artistas, o segmento da cultura e entretenimento, de uma maneira geral, são grandes penalizados com a pandemia. Estamos tentando desenvolver algumas ações para ajudar a manter artistas e profissionais da área de eventos”, justificou.

A proposta da UPB contempla o lançamento de um edital especial para a liberação dos recursos em caráter emergencial, com base no decreto de reconhecimento de calamidade, publicado pelo governo do estado, visando à contratação em formato digital. Em relação à prestação de contas, a UPB sugeriu, entre outros itens, que o município pudesse contratar os artistas dando preferência aos vinculados ao município beneficiário e realizasse lives com transmissão por redes sociais e canais de comunicação por internet, comprovando a execução dos serviços por meio de postagem de vídeos e imagens em seu portal de transparência e que a prestação de contas final fosse encaminhada para a Bahiatursa. Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Bahiatursa informou que o órgão ainda não tinha uma resposta sobre a solicitação.

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