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“SEM FPM, NÃO DÁ”

Prefeituras baianas suspendem atividades por mais recursos

Movimento abrange municípios de 13 estados brasileiros e cobra recomposição de repasses constitucionais

Alan Rodrigues
Por Alan Rodrigues
Prefeitos baianos estão em Brasília pressionando pela aprovação da redução de alíquota do INSS
Prefeitos baianos estão em Brasília pressionando pela aprovação da redução de alíquota do INSS - Foto: Divulgação

Mais de 300 prefeituras baianas vão suspender as atividades nesta quarta-feira, 30, para denunciar e cobrar uma solução para a queda nos repasses do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), composto pela arrecadação dos Impostos de Renda e Imposto sobre Produto Industrializado (IPI).

Na Bahia, de cada 10 municípios, 6 têm até 20 mil habitantes e não possuem receita própria, o que significa uma dependência ainda maior do repasse. Incluindo os municípios de menos de 50 mil habitantes, 375 municípios baianos (89,92%) não conseguem pagar suas obrigações sem o dinheiro do fundo.

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Além das prefeituras baianas, gestores municipais de outros 12 estados (Piauí, Paraiba, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Alagoas, Santa Catarina, Tocantins, Pará, Paraná e Minas Gerais) aderiram à paralisação. Serão mantidos apenas serviços essenciais, como saúde e limpeza urbana.

Somados, os 13 estados envolvidos reúnem 3.355 municípios. Até o final do dia de ontem, 29, 302 prefeituras baianas (72%) confirmaram adesão ao movimento, batizado “Sem FPM, não dá”. A se manter o percentual nos demais estados, estima-se que mais de 2,4 mil prefeituras suspendam as atividades nesta quarta, 30.

“O que nós queremos é uma injeção de recursos na veia dos municípios em caráter emergencial e pode ser feito por meio do Apoio Financeiro aos Municípios (AFM). Basta o governo federal se disponibilizar e ter interesse em ajudar os municípios. Senão alguns serviços vão parar, municípios terão dificuldades com a folha de pagamento, o que infelizmente vai trazer muitos transtornos não só para o setor público mas também privado”, disse o presidente da UPB, Quinho, prefeito de Belo Campo, em entrevista coletiva na segunda-feira, 28.

Causas da redução

O FPM é calculado com base na população de cada município e dividido em faixas. A alíquota mínima é 0,6, que corresponde a R$ 13.678.295,00 ao ano. A cada faixa populacional, o coeficiente sobe 0,2, até o limite de 4, para cidades com mais de 156.216 habitantes. Cada 0,2 a mais representa R$ 4,56 milhões ao ano.

Imagem ilustrativa da imagem Prefeituras baianas suspendem atividades por mais recursos
Foto: Reprodução

A UPB afirma que a estagnação do repasse do FPM diante do aumento de despesas, inflação, folha de pessoal e previdência, pode levar ao colapso financeiro. Independente da alíquota, neste mês de agosto, o recurso fecha 7,95% menor que no mesmo período do ano passado.

A divulgação do censo 2022 também resultou em perdas para 105 municípios baianos, devido à redução populacional. A Lei Complementar nº 198/2023, sancionada em junho pelo presidente Lula, permitiu diluir as perdas em 10 anos, com 10% de redução ao ano.

Parte da redução no valor das alíquotas, registrada nos últimos dois meses, se deve à isenção de Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos. É o que acredita o deputado estadual Hassan (PP), que destaca a dependência dos municípios de menor população, com alíquotas de 0,6 a 1, e teme que a queda na receita provoque retração de investimentos e até cortes nas administrações municipais. “Não tenho dúvida que os prefeitos terão que tomar medidas”

A desoneração do ICMS dos combustíveis, promovida ano passado pela gestão de Jair Bolsonaro, também contribuiu para estrangular as receitas de estados e municípios e, aliada à política de juros do Banco Central concorre para o estrangulamento das prefeituras.

“Infelizmente, nós ainda temos uma taxa de juros, taxa Selic, muito alta. É impossível, não existe um país que cresça com a possibilidade de inflação até 5% e com a taxa de juros de 13,25%. Não tem empresário, não tem empreendedor que vá conseguir fazer as coisas andarem,” diz Quinho, presidente da UPB.

Articulação

Os prefeitos defendem caminhos para minimizar o impacto da crise, a exemplo de um Auxílio Financeiro aos Municípios (AFM) que a União pode liberar de forma emergencial, a aprovação da PEC 25/2022, que sugere um aumento de 1,5% no FPM e a PLP (proposta de lei complementar) 94/2023, visando à recomposição de perdas do ICMS com um potencial benefício de R$ 6,8 bilhões para os 5.570 municípios brasileiros em três anos.

Desde ontem, 29, prefeitos e prefeitas estão mobilizados em Brasília para pressionar pela aprovação do projeto de Lei 334/2023, que propõe reduzir a alíquota patronal dos municípios paga ao INSS de 22,5% para 8%, nos municípios até 142 mil habitantes, outra forma de atenuar os impactos da redução do FPM.

Na última semana, durante a caravana federativa, o secretário de Assuntos Federativos, André Ceciliano, anunciou a liberação de R$ 27 bilhões para estados e municípios, a fim de compensar as perdas com o ICMS.

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