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PÓS-GRADUAÇÃO

"MBA abre um leque maior de atuação"

Aguirre Peixoto, do A Tarde
Por Aguirre Peixoto, do A Tarde

Por proporcionar contato com diferentes atividades relacionadas a negócios, o MBA abre um leque maior de atuação ao profissional e torna-o mais versátil aos olhos do mercado. Quem explica é Fabiana Gabrielli, diretora regional do Grupo Foco, empresa paulista de recrutamento de profissionais. Em entrevista ao repórter Aguirre Peixoto, de A Tarde, ela ressalta que a pós-graduação tornou-se necessária para diferenciar o grande número de pessoas com formação superior que entra no mercado.



A TARDE - Qual a importância da pós-graduação para a colocação de um profissional no mercado?



Fabiana Gabrielli - Hoje existe cada vez mais um número maior de profissionais se formando em nível superior. A pós-graduação entra nesse cenário como um processo de diferenciação - ou seja, quanto maior for a oferta de candidatos dentro do mercado, maior vai ser o critério de seleção em termos de formação acadêmica. As empresas passam a pleitear pessoas com um nível de formação superior e ainda pós-graduação, expectativa de cursar um MBA ou coisas do tipo.



Temos dois tipos de pós-graduação voltadas para o mercado. Uma, a especialização, te forma como um especialista, você está incrementando um conhecimento técnico que irá te suportar em uma determinada carreira, exercendo uma função menos gerencial e mais específica em uma determinada atividade, e há ainda o MBA, uma pós-graduação que te dá uma visão mais sistêmica de negócios. Por exemplo, sou psicóloga de formação e resolvi fazer um MBA porque me deu a oportunidade de me deparar com marketing, finanças, enfim, outras atividades com as quais você acaba não tendo nenhum contato em sua formação básica. A exigência de pós-graduação é resultado da oferta de mão-de-obra. As empresas aumentam o nível de expectativa e isso te permite ainda dois leques em termos de formação, a formação mais técnica e a outra mais diferenciada, voltada para uma visão de negócios, mais gerencial.



AT - Desses dois tipos de pós-graduação, o que é mais valorizado? Depende muito do cargo?



FG - Depende muito. Vou dar um exemplo: nós vivenciamos há alguns anos o boom das telecomunicações e nós tínhamos uma carência enorme de profissionais especializados. Nesse momento, uma pós-graduação técnica mais voltada ao tema específico seria um diferencial grande de mercado. Todavia, se você for olhar as oportunidades em geral, é claro que a pós-graduação voltada para negócios traz uma amplitude de trabalho muito maior, embora nós tenhamos especialistas extremamente bem colocados e bem remunerados.



AT - É importante que o profissional faça pós-graduação em uma área que de fato vá utilizar no seu dia-a-dia? Se, por exemplo, um administrador fizesse especialização na área de letras, seria relevante em um processo seletivo?



FG - Eu acho que tem duas vertentes. Uma, que é eu buscar uma pós-graduação visando a satisfação pessoal, porque não vai ter incremento em termos de empregabilidade, e aquela que você busca de uma maneira mais estratégica, acompanhando os movimentos de mercado. Eu diria que no momento competitivo que nós vivemos, é difícil optar por uma pós-graduação por hobby. O mais rico de uma pós-graduação é incorporar seus conhecimentos ao dia-a-dia profissional.



AT - A instituição de ensino da pós-graduação é levada em conta pelas empresas?



FG - Muito, pela característica da própria grade curricular do curso. É claro que você tem algumas universidades muito bem conceituadas no mercado e a pessoa que busca uma pós, sem dúvida, tem que mapear as universidades, pesquisar, conhecer os alunos, para garantir que faça uma melhor escolha. Isso influencia para o empregador, mas o fato é que nem a pós-graduação é um caráter eliminatório. Em um processo seletivo, é algo que vem agregar, trazer um diferencial. Eventualmente uma empresa pode até optar por contratar um profissional que não tem uma pós, mas possui uma experiência profissional marcante em uma determinada área ou função. A pós traz valores para que você possa competir. Até mesmo políticas de cargos e salários de muitas empresas são estabelecidas levando em conta o quanto um profissional investe em sua vida acadêmica, o que lhe traz aumentos salariais.



AT - Além da pós-graduação e da experiência, que outras qualificações são importantes e são avaliadas no momento da seleção?



FG - Depende. É aquela questão da pessoa certa para a vaga certa no momento certo. Então eu posso manifestar determinadas competências que não são compatíveis com os valores e expectativas daquela organização, mas são boas para outra. É certo que existem algumas competências padrão: capacidade de criar, de ousar, buscar inovação, se adaptar, essas independem do negócio de uma organização. Mas existem outras específicas, associadas a uma empresa e um cargo. Há também um outro elemento que é a performance no momento da entrevista, já que este processo é 'fotográfico'. Em apenas alguns minutos, aquela pessoa é 'fotografada' pelo entrevistador e há um alto nível de exposição, durante o qual ela deve mostrar um diferencial competitivo e ressaltar suas principais fortalezas, em termos de perfil, capacidade, resultados que já foram obtidos e experiências de sucesso.



AT - Um idioma estrangeiro já é praticamente indispensável também?



FG - Eu não diria indispensável. É claro que você amplia sua capacidade de competição tendo um idioma. Nós sabemos que, de maneira geral, o Brasil é foco de investimentos de grandes empresas multinacionais e aí o idioma é uma condição imprescindível. E depende do papel: quanto mais você sobe dentro da estrutura organizacional, quanto maior é a sua interação com acionistas e executivos, o uso de outro idioma acaba se tornando mais frequente. Pessoas que trabalham no segmento de cotação, por exemplo, vão precisar de idiomas, já que irão interagir com outros mercados, fazer negociações estrangeiras... Então depende do cargo ocupado e da característica da empresa.



AT - Qual é o idioma mais importante hoje?



FG - Hoje é o inglês. Ele não é nem mais diferencial, espera-se que já faça parte do perfil. É claro que há demanda por espanhol, mandarim, com o crescimento do mercado chinês e as negociações com a América Latina, mas eu não investiria nelas sem ter o inglês primeiro. Agora, se formos levar em consideração a pós-graduação, um idioma estrangeiro, quanto mais melhor, pelo menos em um processo inicial de triagem. Só que apenas isso não significa nada, vai depender também das competências técnicas e pessoais do profissional, então é um conjunto que se avalia. Diversas vezes já buscamos negociações com um cliente que, em um primeiro momento, almejava um profissional com determinado idioma ou formação, e acabaram optando por outro que não tinha essas qualificações justamente por conta do seu perfil pessoal. Nesse caso a empresa prefere optar por investir nessa carência, considerando que existe naquele funcionário outro diferencial mais relevante.

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