PÓS-GRADUAÇÃO
"Se quer fazer uma dissertação, deve dedicar todo o tempo disponível a ela"

A verdade é que não há estudante que nunca tenha quebrado a cabeça com os escritos acadêmicos. Com a aproximação do final do período letivo e o encerramento das atividades escolares, então, é muito comum o corre-corre para a entrega do trabalho final, seja ele uma monografia, dissertação de mestrado, ou mesmo tese de doutorado.
A Tarde: Para começar, o que vem a ser dissertação? Simone Pessoa: Monografia é o termo utilizado para os trabalhos científicos de conclusão dos cursos acadêmicos em geral, escritos por uma única pessoa. Aplica-se monografia para cursos de graduação e pós-graduação lato sensu. Dissertação é a monografia específica para os cursos de mestrado, ou seja, pós-graduação stricto sensu. Já a tese é a monografia elaborada nos cursos de doutorado, que exige resultados acadêmicos inéditos. Ambas devem ser elaboradas a partir de pesquisas teóricas e/ou empíricas e ser apresentadas de forma lógica e que facilite o desenvolvimento das idéias apresentadas. Como surgiu a idéia para escrever o livro? Quando, como e sobre o que foi a sua primeira dissertação? E de lá para cá, já defendeu muitas outras teses? Trabalha hoje com orientação acadêmica? O que é preciso para uma boa dissertação? Como tudo na vida, uma boa dissertação é construída a partir de boas escolhas durante todo o processo: desde a escolha do tema até a defesa. Nesse caminho, a todo instante precisamos fazer pequenas ou grandes escolhas. Elas é que irão dar o tom do resultado final. E é com esse princípio que “Dissertação não é bicho-papão” foi escrito. Com a intenção de ajudar os estudantes a fazer as melhores escolhas para a elaboração de seu trabalho. Finalmente, gostaria de ressaltar que, o mito da monografia, se desfaz para quem decide se debruçar por inteiro no trabalho. É uma decisão que certamente vai exigir dedicação, esforço, renúncia. Mas a experiência dessa entrega é ímpar, engrandecedora, surpreendente e até apaixonante. Por fim, que dicas você daria a quem está desenvolvendo hoje um trabalho acadêmico? Sobre a organização do tempo e o volume de informações, defendo que o estudante precisa criar um "cantinho da monografia", onde disporá dos livros, artigos, textos e anotações. Se possível, próximo ao computador. O tempo é uma questão de prioridade (tem um capítulo no livro com esse título). Se você quer fazer uma monografia, deve dedicar todo o tempo disponível a ela, seja na sala de espera do médico, seja no ônibus quando vai para a faculdade. Nessa etapa, sugiro abandonar a TV e evitar acatar todos os convites sociais que apareçam pela frente. Compareça somente aos imprescindíveis. E mais, não termine um dia sem ter avançado uma página escrita ou lida ou mesmo uma idéia refletida . Quanto ao volume de informações, com a apropriação do tema, naturalmente você vai saber classificar o que é útil ou "lixo" que merece ser descartado, priorizando o clássico, o consistente, o que incorpora valor à pesquisa. Abaixo, algumas dicas úteis da autora: - Consiga, em arquivo eletrônico, a formatação das páginas, informações, leiaute das folhas pré e pós-textuais; - Tenha à mão um elenco de expressões de ligação; - Quando uma idéia lhe surgir, anote-a no primeiro papel que encontrar pela frente, e depois a transfira para o seu banco de idéias; - Faça os registros da bibliografia à medida que se apropria do texto; - Backup: não deixe para fazer mais tarde; - Escolha uma bela epígrafe para o seu trabalho; - Faça agradecimentos e oferecimentos legítimos; - Peça para alguém ler o que você vai escrevendo; - Adote um tema musical que o mobilize; - Releia o que escreveu para ensejar a escrita; - Caminhe e caminhe; - Conte com a fidelidade canina.
Foi com o objetivo de servir como roteiro prático e ajudar os mais aflitos, que a escritora Simone Pessoa publicou “Dissertação Não É Bicho-Papão” (Editora Rocco). De acordo com ela, o que mais atrapalha os estudantes nessas horas é o medo do desconhecido, aliado à mística de que fazer uma dissertação é sempre um processo doloroso, traumático ou coisa de outro mundo. “Na realidade, a dissertação está mais para um coelhinho, ou um gatinho inofensivo”, disse ela na apresentação do livro.
Administradora de empresas com especialização em Educação Biocêntrica e mestrado em Administração, atualmente atuando como executiva de um banco de desenvolvimento, ela concedeu a seguinte entrevista ao repórter Fábio Bittencourt.
A idéia surgiu quando concluí meu mestrado em administração de empresas. Fui a única da turma que concluiu no tempo regulamentar. Por isso, colei grau sozinha e recebi meu diploma longe de meus colegas de turma. Aquele instante foi crítico. Estava feliz pela minha conquista, mas intrigada porque estava sozinha. Comecei a refletir sobre o que levou a esse desfecho. Assim, passei a relembrar os semblantes de meus colegas, a aflição de muitos, a desistência de outros e o sofrimento de todos. Em contraponto, recordei o meu processo pessoal, vivenciado com esforço, mas recheado de satisfação e, por que não, prazer? Esse foi o mote para me debruçar e escrever “Dissertação não é bicho-papão”. Queria contar minha história de forma a desmitificar muito desconhecimento que se tem em torno da elaboração do trabalho monográfico acadêmico. O meu propósito, portanto, era ajudar a todos os que sofrem nesse momento importante de suas vidas.
Defendi minha dissertação em outubro de 2003. Foi uma ocasião muito especial em que pude desfrutar da conquista de apresentar minha dissertação intitulada “Gênero e Liderança: discussão do estilo de liderança da mulher executiva”, aprovada com a nota dez com louvor. Para esse momento, preparei-me bastante e utilizei técnicas e procedimentos que percebi serem bastante efetivos.
Não. Interessante é que, por conta da boa repercussão do livro, acabei descobrindo que minha forma de escrita atrai e toca as pessoas. Recebi tantas respostas positivamente contundentes que resolvi investir nesse dom. Hoje sou cronista do principal jornal de Fortaleza, O Povo, e tenho uma coluna fixa aos domingos. Minha pretensão é desenvolver novos títulos e poder oferecer textos leves e com reflexões significativas para os leitores de todo o Brasil.
Sim. Também em decorrência do “Dissertação não é bicho-papão”, sou sempre sondada para orientar monografias. Contudo, considerando que, hoje, minha prioridade é a literatura, tenho aceito poucas ofertas para atuar como orientadora.