LEVANTAR PROPOSTAS
Circo Picolino realiza encontro de circenses
Encontro envolve debates sobre políticas públicas para a classe
Por Ian Peterson*
O Circo Picolino, na orla de Salvador, iniciou na terça-feira, 19, o Encontro de Circenses da Bahia, que reúne também nesta quarta, 20, profissionais e entusiastas, para fortalecer o setor no estado e no país. O circo é uma das mais antigas formas de arte, presente em todo o mundo e marcado pela diversidade cultural, que enfrenta dificuldades nos dias atuais.
O objetivo do encontro, segundo Robson Mol, coordenador do evento e do Circo Picolino, é promover debates sobre políticas públicas, trocar experiências e buscar soluções para os desafios enfrentados pela classe. “O encontro é uma oportunidade de discutir desde as dificuldades do dia a dia até ideias de formação de redes e intercâmbio artístico”, afirma.
Além das apresentações artísticas, o evento resultará na elaboração de uma carta pública, que reunirá propostas para o fortalecimento do setor. “A ideia é consolidar tudo o que foi discutido aqui em um documento que oriente o futuro do circo na Bahia e possa ser compartilhado com o mundo”, explica Robson.
Uma das maiores dificuldades, entre as apontadas pelos circenses, é a falta de políticas públicas específicas e o apoio para a manutenção e circulação dos circos, especialmente nos municípios menores. “Muitas vezes, os circos itinerantes não têm estrutura ou incentivo para se estabelecer em determinadas regiões. Isso afeta não só os artistas, mas também o público que deixa de ter acesso à arte circense”, destaca Robson. Para ele, é fundamental que encontros como este criem caminhos para diálogo com o poder público e ampliem as oportunidades para os trabalhadores do setor.
Wilma Macedo, presidente da Associação de Circos Itinerantes, trouxe ao encontro as dificuldades enfrentadas pelos circos itinerantes, que dependem exclusivamente da bilheteria para sobreviver. Ela destacou como a burocracia excessiva e as exigências de muitos municípios dificultam a circulação dos espetáculos. “Sabemos que normas de segurança são necessárias, mas algumas exigências são absurdas, como alugar ambulância e contratar médico e enfermeiro para ficarem de plantão na porta do circo. Tudo isso sem garantia de público ou receita”, afirmou.
Wilma também ressaltou o papel cultural do circo e a falta de apoio do poder público. “O circo cumpre um papel que muitas vezes deveria ser dos municípios: levar arte, cultura e diversão a todos os lugares. Infelizmente, em muitos casos, temos dificuldade até para entrar nas cidades”, contou.
Nina Porto, é artista circense destacou a importância de espaços como o encontro para promover diálogos e fortalecer o setor. Para ela, a troca de experiências entre artistas de diferentes formações — sejam os formados em escolas, na rua ou no próprio circo itinerante — é essencial para superar os desafios do segmento. “Quando você abre um lugar de discussão, ele favorece todos os âmbitos e tipos de formação de artistas. É dessa união que conseguimos nos fortalecer e estabelecer redes, porque sozinhos dificilmente realizamos grandes coisas”, afirmou.
Programação de hoje
O segundo dia do Encontro de Circenses da Bahia, que acontece hoje (20), contará com uma mesa de debates às 14h sobre a importância de espaços de discussão para a classe artística, com representantes da gestão pública e mediação de integrantes do evento. O encontro, que é gratuito e aberto ao público. O encerramento ocorrerá com a assinatura da Carta Pública e, em seguida, a realização de intervenções e performances circenses com artistas residentes do Circo Picolino.
*Sob a supervisão da editora Isabel Villela
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