61 ANOS DA DITADURA MILITAR
Colégio em Salvador ainda leva nome de ditador; assista reportagem
A TARDE Play destaca os impactos da permanência de nomes de ditadores em instituições públicas
Por Victoria Isabel

A ditadura militar brasileira, que teve início em 1º de abril de 1964 e perdurou até 15 de março de 1985, deixou cicatrizes profundas na história do país, cujas marcas ainda são sentidas nos dias atuais. Em Salvador, diversas instituições de ensino mantiveram nomes de ditadores como "homenagem" mas ao longo dos anos, esses nomes foram sendo substituídos.
No entanto, um colégio ainda carrega o nome de um dos líderes autoritários: o Colégio Estadual Presidente Costa e Silva, localizado no bairro da Ribeira. O A TARDE Play produziu uma reportagem que destaca como a permanência dos nomes em equipamentos públicos fere a memória das vítimas da ditadura.
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O professor do Departamento de História da Universidade Federal (UFBA) Carlos Zacarias, considera a permanência desses nomes um "verdadeiro atentado" à memória das vítimas da ditadura.
"É um atentado a essa memória e, por extensão, à memória de todo o país. Quem sofreu com a ditadura não foram apenas as vítimas diretas, mas também todos aqueles que viram a democracia sucumbir, os projetos de desenvolvimento ficarem suspensos e o arbítrio prevalecer", afirmou.
Em relação ao Colégio Costa e Silva, a última instituição de ensino no estado a homenagear um líder autoritário, Zacarias observa que muitos estudantes não sabem exatamente quem foi Costa e Silva. "Os meus primeiros contatos com estudantes do colégio me levam a crer que, mesmo os alunos de lá, não sabem quem foi Costa e Silva. Se soubessem, dificilmente aceitariam que a escola onde estudam tenha esse nome", disse.

Arthur da Costa e Silva, presidente de 1967 a 1969, foi o responsável por implementar o AI-5, um decreto que instaurou um dos períodos mais sombrios da ditadura militar.
Diva Santana, ativista do grupo "Ditadura Nunca Mais", afirmou que é "vergonhoso e lamentável" que ainda existam setores acadêmicos e políticos que, mesmo conhecendo os crimes cometidos pelos militares, aprovem nomes de torturadores para logradouros, escolas e órgãos públicos. "É vergonhoso que ainda existam deputados que votem e aprovem os nomes de assassinos confessos", destacou.
O deputado estadual Robinson Almeida, inspirado por essa situação, apresentou um projeto de lei para proibir que torturadores e figuras autoritárias batizem equipamentos públicos. "Me inspirei a fazer esse projeto de lei para impedir que os nomes de torturadores, comprovadamente, que aviltaram a dignidade humana e as liberdades individuais e coletivas, possam batizar nossos equipamentos públicos”.
Assista o vídeo do A TARDE Play
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