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2 DE FEVEREIRO

“Ela é a mãe de todos”: devotos destacam força de Iemanjá em Salvador

Devotos de diferentes terreiros celebram fé, ancestralidade e resistência cultural

Jair Mendonça e Victoria Isabel

Por Jair Mendonça e Victoria Isabel

02/02/2026 - 10:53 h

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Mãe Nicinha de Nanã
Mãe Nicinha de Nanã -

A fé, a ancestralidade e o respeito às tradições de matriz africana marcaram mais uma celebração em homenagem a Iemanjá em Salvador. Entre os milhares de devotos que participaram do cortejo nas primeiras horas da manhã, Mãe Nicinha de Nanã, do terreiro Olufanjá, no bairro de Tancredo Neves, destacou a força espiritual que a move há décadas.

Aos 78 anos, ela afirma que a presença no evento é resultado direto da fé. “Iemanjá me deu a força, a coragem e a condição de estar aqui hoje. Porque ela é a mãe de todos. Quem tem fé, quem acredita, enxerga o bem que ela faz”, declarou.

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Segundo Mãe Nicinha, para os povos de matriz africana, Iemanjá representa cuidado, sustento e proteção. “Ela é a mãe que traz o alimento, que dá a condição aos pescadores de irem ao mar bravio, um lugar cheio de segredos, e voltarem ilesos com o peixe, seja para manter a família ou para vender e garantir a sobrevivência”, afirmou.

Ela contou que chegou ao local da celebração por volta das 4h30 da manhã. “É o poder da fé. A resistência que ela nos dá. Para vir aqui, a gente precisa ter uma organização muito grande com os orixás em casa, para que tudo saia direitinho”, explicou.

Mãe Nicinha de Nanã
Mãe Nicinha de Nanã | Foto: Jair Mendonça Jr/Ag. A TARDE

Também presente no cortejo, Gustavo Meneses, do terreiro Ylê Axé Ogum Ominkayê, em Cajazeiras, ressaltou o significado simbólico da celebração. “Iemanjá é mãe de todos os orixás, mãe das águas salgadas. Os peixes representam os filhos. Todos nós somos filhos de Iemanjá”, disse.

Para ele, o evento vai além da religiosidade. “Esse cortejo é uma celebração de paz e prosperidade. Mantém a fé e também o respeito pela nossa matriz africana. Pessoas de fora do país vêm conhecer, pessoas da cidade também, e isso ajuda a quebrar o preconceito e a intolerância religiosa”, destacou.

Gustavo Meneses
Gustavo Meneses | Foto: Jair Mendonça Jr/Ag. A TARDE

Meneses reforçou que o encontro promove união. “Isso traz harmonia. É isso que os orixás querem e é isso que a gente quer: a união do povo, independentemente da religião. Axé é prosperidade, axé é amor”, concluiu.

Outro destaque da celebração foi a presença do bailarino, professor e coreógrafo baiano José Carlos Arandiba, conhecido como Zebrinha. Vestido de branco, ele falou sobre o significado da data e da relação com os orixás. “Não somente Iemanjá, mas todos os orixás e meus ancestrais me deram tudo”, afirmou.

Zebrinha
Zebrinha | Foto: Jair Mendonça Jr/Ag. A TARDE

Para ele, o evento também é um espaço de aprendizado e convivência. “Aqui deveria ser uma festa ecumênica. Todos os santos estão aqui. É um espaço para aprender e para acabar com a intolerância religiosa e o racismo religioso”, disse.

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Tags:

Ancestralidade cortejo Iemanjá matriz africana

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