SALVADOR
Escala 6x1: turismo de Salvador pode encarar altos preços e demissões
Aprovada pela Câmara dos Deputados, PEC agora segue para o Senado


A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para o fim da escala 6x1, que reduz a jornada de trabalho para 40h semanais, foi aprovada nesta quarta-feira, 27, pela Câmara dos Deputados.
Avaliada como benéfico pelos empregados, empresários de todo o país divergem sobre o impacto da mudança para as corporações.
Para entender o efeito da decisão em Salvador, sobretudo no turismo ligado a bares, restaurantes e hotéis, o portal A TARDE ouviu representantes do setor. Segundo eles, pode haver uma grande onda de demissões e o público pode começar a pagar mais caro.
Cenário nos bares e restaurantes
Bares e restaurantes da capital, que costumam ter funcionamento intenso aos finais de semana e feriados, avaliam como adaptar as escalas de serviço.
À reportagem, Julio Calado, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) na Bahia alertou para consequências caso a proposta seja aprovada no Senado. Para ele, o impacto vai ser negativo, sobretudo em pequenos restaurantes.
"Muitos terão ou que fechar ou diminuir os dias de funcionamento, o que aumenta o peso do custo de aluguel, energia. Os estabelecimentos que fecharão, deixarão uma massa de desempregados, além de outros prejuízos para sociedade e naturalmente, todos os preços vão subir porque o empresariado será forçado a passar o custo extra para os produtos. A inflação vai subir ainda mais, comprometendo o salário dos brasileiros", lamentou.
Calado avalia que o projeto está sendo "empurrado”, sem respeitar um tempo hábil para a realização de estudos mais profundos, o que, para ele, pode acarretetar em graves consequências.
Leia Também:
Impacto na hotelaria
Na mesma linha, representantes do setor de hoteleiro alertam que a escala atual é fundamental para manter o atendimento contínuo aos turistas. Segundo a avaliação, uma mudança drástica exigiria a reformulação completa das equipes de atendimento, garçons e camareiras, impactando no turismo, por se tratar de 7,8% de toda a mão de obra de carteira assinada da Bahia.
Ao portal A TARDE, Wilson Spagnol, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia (ABIH-BA) afirma que o setor não é contra os avanços, mas sim, com a forma que eles têm sido coduzido.
"Se é um ajuste que é importante ser feito, tudo bem. O que nós achamos é que do jeito que está sendo feito, claramente a gente vê um uso eleitoral. Nenhum país da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico] usa isso. Ao contrário, muitos trabalham mais [...] No momento em que as famílias e as empresas brasileiras estão com recorde de endevidamento e com recorde de recuperação judicial, não me parece um cenário exatamente positivo".
Segundo Wilson, caso a PEC seja aprovada, o turismo nacional pode perder a competitividade em relação a países que não tem o mesmo custo. "Já temos dificuldade de tornar o Brasil um país importante para o turismo internacional e nós teremos essa dificuldade adicional", lamentou.
Além disso, o presidente da ABIH fez uma análise comparando o modelo trabalhista dos Estados Unidos. Segundo ele, não há americanos querendo emprego no Brasil, e sim um movimento contrário.
"A gente vê que os brasileiros querem ir lá trabalhar num regime que é livre. Nós entendemos que o Brasil deveria adotar um regime que quem quer trabalhar menos, trabalhe menos, quem quer trabalhar mais, trabalhe mais. [...] Os países que estão avançando no mundo trabalham mais, não menos", disse Wilson.
Apesar de não ver a escala 6x1 de forma positiva, principalmente por não conseguir medir os custos que terá a longo prazo, a associação garante que vai adaptar, em caso de aprovação.
"Vamos nos adaptar se assim for, mas não sei se necessariamente será positivo para um outro trabalhador, para a própria população, porque certamente eles pagarão mais caro para viajar, terá mais custos não só no nosso segmento, mas em outros, o Brasil fica menos produtivo", finalizou.
Fim da escala 6x1 aprovada
Com apoio massivo, o texto foi aprovado em dois turnos na Câmara dos Deputados. Foram 472 votos a favor e apenas 22 contra na primeira etapa. Já na segunda rodada, o placar foi de 461 a 19.
Agora, a PEC agora segue para o Senado, onde o presidente Lula (PT) deve negociar pessoalmente a promulgação ainda este ano com Davi Alcolumbre. Para ser aprovado, o texto precisa de no mínimo 49 votos em dois turnos.


