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Filhas de Gandhy anunciam tema do Carnaval 2027 inspirado nas riquezas do oceano
O anúncio ocorreu dentro da programação especial pelo Mês da Mulher

O Afoxé Filhas de Gandhy anunciou, nesta terça-feira, 10, o tema do desfile para o Carnaval de 2027 durante o 2º Ajeum das Yabás, realizado na sede da instituição, no Pelourinho, em Salvador. O enredo escolhido foi “O Reino de Ajé Olokun: A Realeza do Ouro Abissal”, que propõe uma reflexão sobre as riquezas do oceano e a importância da preservação das águas.
O anúncio ocorreu dentro da programação especial pelo Mês da Mulher, que reuniu integrantes do bloco e convidadas para celebrar a ancestralidade feminina e discutir o protagonismo das mulheres nas manifestações culturais de matriz africana.
Em entrevista ao portal A TARDE, a produtora do Afoxé Filhas de Gandhy, Silvana Magda, afirmou que o tema do Carnaval busca apresentar ao público uma narrativa ligada à espiritualidade afro-brasileira e à relação entre natureza e humanidade.

“É uma saudação ao Reino de Ajé Olokun. Ajé é a senhora das profundezas e das riquezas do oceano. Muitas pessoas confundem com Iemanjá, mas são divindades distintas. Ajé é considerada a filha mais nova de Iemanjá e tem o controle sobre os tesouros do mar, como búzios, corais, cristais, sal e até o que chamamos de ouro negro, que é o petróleo”, explicou.
A proposta do enredo é levar para a avenida uma leitura simbólica sobre os mistérios das profundezas marinhas, conectando espiritualidade, ciência e natureza.

“Queremos mostrar que o oceano é uma grande responsabilidade para todos nós. Nosso corpo é composto majoritariamente por água, e essa água precisa ser preservada. Quando mexemos com os oceanos, as consequências impactam o mundo inteiro”, afirmou Magda.
Estética do desfile
Para o Carnaval de 2027, o Afoxé pretende explorar visualmente o contraste entre o tradicional branco das Filhas de Gandhy e elementos iridescentes inspirados no brilho do petróleo sob a luz do sol.
A proposta estética também fará referência ao pré-sal, representado simbolicamente como uma “armadura sagrada” que protege os tesouros guardados nas profundezas do oceano.

De acordo com a organização, o desfile pretende traduzir para o público a ideia de que as riquezas do litoral brasileiro podem ser interpretadas não apenas do ponto de vista econômico, mas também cultural, espiritual e ambiental.
Apoio institucional
Presente no evento, a secretária de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Ângela Guimarães, destacou a importância do apoio institucional às manifestações culturais afro-brasileiras.
“Estamos saudando a persistência das mulheres negras, porque não seria possível explicar nem construir a nossa sociedade sem essa presença ancestral. Políticas públicas como o Ouro Negro garantem dignidade e apoio para que essas expressões não sejam marginalizadas no Carnaval”, afirmou.

Segundo ela, iniciativas desse tipo ajudam a fortalecer o protagonismo de blocos afro e afoxés nas ruas de Salvador.
Essas manifestações precisam estar de pé, com beleza, afirmação e protagonismo no Carnaval da nossa cidade e do nosso estado
Celebração da ancestralidade feminina
O anúncio do enredo aconteceu durante o Ajeum das Yabás, encontro que celebra as divindades femininas das religiões de matriz africana. Um dos momentos simbólicos do evento foi o café da manhã ritualístico com iguarias dedicadas às Yabás, representando fartura, acolhimento e continuidade.
A programação também contou com a roda de conversa “Mulheres por trás dos Tambores”, que reuniu participantes de diferentes áreas profissionais para compartilhar experiências sobre o pertencimento ao Afoxé e o impacto dessa vivência para além do Carnaval.
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