SALVADOR
De pais para filhos: famílias mantém viva a tradição de Iemanjá em Salvador
Celebração atravessa gerações no 2 de fevereiro

Por Luiza Nascimento e Victoria Isabel
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Mais do que uma celebração religiosa, a Festa de Iemanjá se torna um espaço de transmissão cultural no Rio Vermelho, onde os pais apresentam aos filhos os símbolos e valores que atravessam gerações no 2 de fevereiro.
Moradora do bairro, Ludmila conta que sua aproximação com Iemanjá é relativamente recente, mas ganhou força com a vivência na Bahia. Professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), ela explica que o contato com as religiões de matriz africana e com a própria festa despertou o desejo de participar todos os anos, sempre ao lado dos dois filhos.
“Eu não sou praticante da religião, mas admiro muito. É uma festa bonita e faz parte da cultura de Salvador e da Bahia”, afirma.

Para Ludmila, trazer as crianças para a celebração vai além da religiosidade. É um gesto de pertencimento e reconhecimento das raízes culturais. “Acho importante eles terem contato com essa cultura desde cedo, para entenderem de onde a gente vem e respeitarem nossas tradições”, completa.
A filha Olivia, de nove anos, acompanha a mãe com entusiasmo e se encanta com os rituais da festa. “Eu adoro ver os pescadores indo de barquinho entregar as oferendas para Iemanjá. É muito bonito”, diz.
A transmissão da fé de geração em geração também faz parte da história de Geisa, que participa da festa desde a infância. Para ela, o 2 de fevereiro sempre foi um compromisso familiar. “Desde criança é uma tradição. A gente vem para a alvorada, toma café, mingau e agora eu posso trazer meu filho também”, conta.
O pequeno Heitor, que já participou da festa ainda na barriga da mãe, agora começa a viver a celebração por conta própria. “É importante para ele entender nossas tradições, o que é fé, o que é acreditar e se doar”, explica Geisa.

Já para Mayra, a relação com Iemanjá é marcada por um momento de profunda transformação. Ela conta que durante a pandemia, encontrou na orixá e no mar um espaço de cura e acolhimento. “Foi na praia que eu encontrava meu lugar de descanso e de força”, relembra.
Agora, ela vivencia o 2 de fevereiro ao lado da filha Maya, que participa da festa pela primeira vez. “Sem fé a gente não vai para lugar nenhum. Cada um tem sua crença, sua forma de amar e de receber esse amor. Ter fé é ter esteio na vida”, reflete.

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