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REPERCUSSÃO

Mural com Papa abraçado ao 'diabo' gera polêmica na Ufba

Petição solicita identificação dos responsáveis pela pintura e remoção imediata da obra

Ian Peterson*
Por Ian Peterson*
Segundo o artista João Vasconcelos, a pintura representa uma metáfora sobre a coexistência de forças opostas
Segundo o artista João Vasconcelos, a pintura representa uma metáfora sobre a coexistência de forças opostas - Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

A pintura no muro da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba) continua repercutindo. O último capítulo se deu quando, na quinta-feira, o deputado estadual Diego Castro (PL) entrou com uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF).

O parlamentar considerou a obra “totalmente inadequada” e argumenta que ela vilipendia símbolos cristãos, além de incitar intolerância religiosa. “Acredito que, em uma instituição pública, os recursos e o espaço devem ser usados de forma responsável e respeitosa. Minha ação visa garantir que o espaço público seja utilizado de maneira que promova o diálogo saudável, sem atacar o público cristão", afirmou o deputado.

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Na petição apresentada ao MPF, Diego Castro solicita que o caso seja investigado, com a identificação dos responsáveis pela pintura e a remoção imediata da obra. O parlamentar também cobra que a Ufba implemente medidas preventivas para evitar novas ocorrências e que a instituição se pronuncie sobre o episódio. Além disso, que a Ufba realize ações educativas voltadas ao respeito à diversidade religiosa, para promover mais inclusão e harmonia.

Para o artista João Vasconcelos, a obra é uma reflexão sobre a dualidade da condição humana. “O encontro entre o papa e o diabo representa uma metáfora para a coexistência de forças opostas: luz e sombra, moralidade e tentação, poder e fragilidade. É um convite para que cada pessoa tire suas próprias interpretações a partir do que vê”, afirmou.

A repercussão, no entanto, tomou proporções inesperadas. “A obra acabou sendo apropriada por alguns segmentos extremistas, que têm reinterpretado a pintura de forma conservadora e negativa”, pontuou João. Ele rejeita as acusações de intolerância religiosa e reforça que a obra não tem o objetivo de atacar o catolicismo. “De maneira alguma minha intenção foi atacar o catolicismo. A obra busca dialogar com símbolos históricos e universais”, defendeu. Para João, a reação intensa mostra o impacto da arte, mas também reflete a dificuldade em lidar com interpretações que questionam visões tradicionais.

Após a repercussão do caso, João Vasconcelos divulgou uma nota de esclarecimento em suas redes sociais na última quarta-feira. No comunicado, o artista pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas. “Eu respeito profundamente todas as religiões e as pessoas que as seguem”, contou.

João também destacou que a situação gerou importantes reflexões pessoais e profissionais. “Recebi mensagens que me fizeram refletir e aprendi muito com toda essa situação. Quero reafirmar meu compromisso com a arte como um espaço de inclusão, respeito e construção de pontes, e não de divisão ou mágoa”. Em nota, a Arquidiocese de São Salvador informou que não irá se pronunciar sobre o assunto.

*Sob a supervisão da editora Meire Oliveira

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Diego Castro PL intolerância religiosa Ministério Público Federal (MPF) Pintura Facom Ufba Símbolos cristãos

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