REGRA DAS 5 SEMANAS
Praias de Salvador estão mesmo impróprias? Entenda metodologia do Inema
Entenda como o acúmulo de dados das últimas cinco semanas distorce a percepção sobre a cenário atual

A divulgação do último boletim de balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) pode assustar soteropolitanos e turistas que desejam aproveitar as praias de Salvador.
Isso porque o relatório aponta que apenas a praia de Cantagalo, localizada na Cidade Baixa, estaria própria para o banho na capital baiana.
No entanto, o diagnóstico de "impropriedade" carrega uma nuance técnica fundamental que, se ignorada, gera uma percepção distorcida da realidade atual das praias.
A regra das 5 semanas do Inema
O ponto crucial que precisa ser compreendido é que o selo de "imprópria" dado pelo Inema não significa que a água esteja contaminada hoje. A metodologia adotada segue a Resolução Conama nº 274/2000, que baseia sua classificação em um histórico acumulado de cinco semanas consecutivas.
Para que uma praia seja considerada "própria", ela precisa apresentar níveis baixos de coliformes fecais (Escherichia coli) em pelo menos 80% das amostras coletadas nesse período de mais de um mês.
Ou seja, se Salvador enfrentou chuvas intensas há três ou quatro semanas — fenômeno que naturalmente carreia sedimentos e poluição para o mar através das galerias pluviais — a praia continuará sendo classificada como "imprópria" no relatório atual, mesmo que o sol tenha voltado e a água esteja cristalina e limpa no momento presente.
Fator chuva
O próprio Inema adverte que o banho deve ser evitado em dias chuvosos e nas 24 horas subsequentes, devido ao arraste de detritos. Como o boletim olha para o retrovisor (as últimas cinco semanas), ele acaba por penalizar praias que já recuperaram sua qualidade de balneabilidade, mas que ainda carregam o "peso" estatístico de uma amostragem ruim feita durante um temporal passado.
A própria assessoria de imprensa do Inema ressaltou ao Portal A TARDE que, afirmar categoricamente que "as praias de Salvador estão impróprias", é um equívoco técnico. O correto seria dizer que elas "foram afetadas por eventos de poluição pontuais ao longo do último mês".
O que o banhista deve considerar?
A balneabilidade de uma capital litorânea como Salvador é dinâmica. A metodologia do Inema é uma ferramenta importante de monitoramento a longo prazo, mas é insuficiente para determinar a condição real e imediata da água em um dia de sol após um período de seca.
Segundo especialistas, o bom senso continua sendo a melhor régua: observar a clareza da água, a ausência de lixo flutuante e, principalmente, evitar o mergulho em períodos imediatamente posteriores a grandes chuvas.
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