Crescimento da diabetes preocupa especialistas

Publicado domingo, 14 de novembro de 2021 às 12:28 h | Atualizado em 14/11/2021, 19:46 | Autor: Priscila Dórea

Hoje, 14 de novembro, é o Dia Mundial da Diabetes e de acordo com os primeiros dados do Atlas Diabetes 2021 da Federação Internacional de Diabetes (IDF), publicado na semana passada, nos últimos dois anos houve um aumento de 16% do número de diabéticos no mundo. E o mais alarmante: a meta mundial de casos previstos para 2030 foi alcançada em 2020. No Brasil a estimativa é que a incidência da doença chegue a 21,5 milhões em 2030.

“A causa desse aumento se deve aos hábitos não saudáveis da população, onde a busca por praticidade e rapidez fazem as pessoas darem pouca atenção à saúde. É evidente o aumento no consumo de alimentos ultraprocessados convenientes, mas que possuem excesso de aditivos químicos, açúcar e sódio, que viciam o paladar e tornam o sabor de frutas, verduras e saladas pouco atrativo”, explica a médica endocrinologista Regilene Batista, coordenadora médica do Centro de Referência Estadual para Assistência ao Diabetes e Endocrinologia (Cedeba).

É uma situação complicada de resolver, porque há muitos fatores por trás dela: a praticidade desses alimentos, o excesso de trabalho que nos priva de cuidar do corpo, o sedentarismo que só é levado a sério tarde demais, a falta de exames anuais para verificar a saúde e a própria falta de interesse das grandes organizações em ofertarem alimentos mais saudáveis ou de ao menos avisarem dos níveis de sódio de seus produtos de forma mais escancarada. “Há muito o que analisar, mas as pessoas devem repensar seus hábitos de vida agora, não quando for tarde demais”, desabafa Batista.

A Cedeba não possui dados atuais sobre o número de casos na Bahia, mas a endocrinologista salienta que hoje, Dia Mundial da Diabetes, é importante não apenas para promover a prevenção da diabetes e estimular que as pessoas mudem os hábitos de vida, mas que também seja um dia de incentivo para aqueles que já possuem o diagnóstico. “É preciso alertar essas pessoas sobre a necessidade de manter os cuidados, pois o problema não é ser diabético, é não cuidar disso. A diabetes é uma doença silenciosa e por isso tão perigosa. Se não nos cuidarmos agora, quando vamos?”, questiona Batista.

E quem está se mantendo atenta a todos os cuidados necessários é a professora da educação infantil, Ana Claúdia Souza Matos de Rosário, que mantém seu diabetes sob controle há um pouco mais de sete anos. Depois da glicose dar um pouco alta nos exames de rotina, ela resolveu procurar um endocrinologista, onde descobriu que estava com diabetes tipo 2.

“Foi um pouco complicado na pandemia, pois fazer exercício físico é um dos meus tratamentos e o isolamento dificultou isso. Porém, mantive a risca as restrições alimentares e cheguei a receber elogios de minha médica. A verdade é que, seguindo a risca o tratamento, você consegue viver bem e por muito tempo sendo diabético. O que não podemos é negligenciar a nossa saúde e fazer pouco caso de alterações, mesmo mínimas, em exames de rotina. Se você fica empurrando com a barriga, mas para frente o problema já pode ser muito mais grave”, alerta a professora.

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