PREOCUPAÇÃO
Ebola pode chegar ao Brasil? Entenda o risco em meio ao novo surto da doença
Avanço de um novo surto da doença na África tem despertado preocupação internacional


O avanço de um novo surto de ebola na África tem despertado preocupação internacional e levantado dúvidas sobre a possibilidade de a doença chegar ao Brasil. Apesar do aumento de casos no continente africano e do alerta emitido pelas autoridades sanitárias, especialistas avaliam que a probabilidade de transmissão em território brasileiro, apesar de ser possível, continua sendo extremamente baixa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a emergência sanitária permanece restrita ao continente africano. No Brasil, por exemplo, até hoje nunca registrou um caso de infecção por ebola. Ainda assim, a circulação internacional de pessoas faz com que a chegada de um caso importado não seja impossível, embora seja considerada remota, segundo explica a pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz), Dra. Otília Helena Lupi.
“A chance do vírus ebola chegar ao Brasil é muito remota. Caso chegue, nós estamos preparados e vão estar sob risco aquelas pessoas que entrarem em contato direto com casos sintomáticos, porque só o paciente doente com sintomas transmite”.
Helena destaca, ainda, que o Brasil não possui os hospedeiros naturais envolvidos na cadeia de transmissão da doença, fator que dificulta a circulação sustentada do vírus no país.
“Para a população em geral, o risco é ainda mais remoto. Nós não temos os hospedeiros e, portanto, a produção da doença em território nacional é praticamente impossível. O risco de isso acontecer é praticamente zero”, afirma Otília Helena Lupi.
Surto na África
Atualmente, o surto está concentrado na região de fronteira entre a:
- República Democrática do Congo;
- Uganda;
- Sudão.
Segundo a especialista, o ebola é "uma doença viral grave causada por um filovírus e ocorre principalmente em áreas rurais e próximas a florestas da África Central, onde circulam os hospedeiros naturais do vírus".
Transmissão
A transmissão ocorre apenas por meio do contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas que já apresentam sintomas. Diferentemente de doenças respiratórias, o ebola não se espalha pelo ar, o que reduz significativamente o potencial de disseminação.
Ainda segundo a especialista, o maior desafio estaria relacionado ao atendimento hospitalar de um eventual paciente infectado. No entanto, ela afirma que o país possui protocolos e equipamentos adequados para lidar com a situação.
“O grande risco está no tratamento, no ambiente hospitalar, no manejo desse caso. Nós estamos preparados. Temos equipamentos de proteção individual e coletiva e podemos oferecer cuidado a esse indivíduo sem colocar em risco as equipes de assistência”, ressalta.
Nova variante preocupa autoridades
Uma das principais preocupações das autoridades sanitárias é a variante que predomina no atual surto africano.
Dados recentes apontam cerca de 200 mortes confirmadas e aproximadamente 800 casos suspeitos associados à nova cepa. "Diferentemente de variantes anteriores, ainda não existe vacina específica nem tratamento aprovado para combater essa versão do vírus", afirma.
Pesquisadores trabalham no desenvolvimento de novas estratégias de prevenção, incluindo medicamentos que podem ser ser utilizados após a exposição ao vírus para reduzir o risco de infecção.
Enquanto as autoridades monitoram a evolução do surto, especialistas recomendam que a população acompanhe informações apenas por canais oficiais, como a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e instituições de referência em infectologia.