ONCOFERTILIDADE
Fertilidade pode ser prejudicada em até 60% dos pacientes com câncer
Doutor Daniel Zylbersztejn explica como tratamento de oncofertilidade melhora qualidade de vida destas pessoas

Estima-se que o prejuízo à fertilidade possa afetar entre 25% e 60% dos pacientes com câncer, decorrente da própria doença ou pela terapêutica oncológica instituída. O dado aponta uma perda na qualidade de vida destas pessoas, seja no âmbito físico, mental ou social.
Para o doutor Daniel Suslik Zylbersztejn, médico urologista PhD em Reprodução Humana do Grupo Fleury, detentor da Diagnoson a+ na Bahia, o aconselhamento por parte dos médicos sobre as dificuldades de gerar filhos não é incluído na programação do tratamento contra o câncer. A oncofertilidade é a especialidade médica focada na manutenção do potencial de fertilidade futura da população de homens e mulheres em idade fértil e portadora de alguma doença oncológica.
Com relação ao câncer de mama, a neoplasia com maior incidência nas mulheres no Brasil e no mundo, 40% dos diagnósticos são em mulheres abaixo de 50 anos e 10% em mulheres abaixo de 45 anos, ou seja, em idade reprodutiva. Nos homens, o câncer de testículo em sua imensa maioria ocorre na idade entre 25 e 40 anos, também trazendo riscos para a fertilidade masculina.
“A infertilidade tem sido considerada o efeito colateral a longo prazo mais prevalente do tratamento do câncer, afetando não apenas a parte reprodutiva, mas também trazendo prejuízos para o bem-estar geral por conta da impossibilidade de gerar filhos com a própria genética. Hoje pode-se afirmar que a fertilidade é um componente importante da qualidade de vida e a sua preservação é considerada uma extensão do tratamento do câncer”, afirma o Dr. Daniel.
Segundo o especialista, além dos médicos desconhecerem a especialidade da Oncofertilidade, eles e seus pacientes querem iniciar logo o tratamento oncológico com medo de que a doença avance e deixam a questão reprodutiva em segundo plano. Outro ponto é a falta de acesso direto e facilitado a um Centro de Medicina Reprodutiva na maioria dos serviços de oncologia.
Existem técnicas com o objetivo de preservação da fertilidade de acordo com as particularidades de cada paciente. A criopreservação de espermatozoides, o congelamento de óvulos, de embriões e de tecido ovariano são opções disponíveis e clinicamente aceitas para a proteção reprodutiva.
“A oncofertilidade surgiu visando beneficiar milhares de pacientes com câncer em idade reprodutiva, porém é necessário melhorar a interação entre os setores de oncologia e medicina reprodutiva para que todo o potencial desta nova especialidade médica seja aproveitado”, finaliza o Dr. Daniel.
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