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Medicamento não estimulante para o TDAH está perto de chegar ao Brasil

Molécula Atomoxetina já é usada nos Estados Unidos desde 2002

Publicado quinta-feira, 26 de outubro de 2023 às 19:43 h | Atualizado em 27/10/2023, 17:34 | Autor: Matheus Calmon
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O primeiro medicamento não estimulante para o tratamento do TDAH aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve chegar às farmácias do país muito em breve. Trata-se do 'Atentah', nome comercial que será utilizado pela farmacêutica Apsen para a molécula Atomoxetina, já usada nos Estados Unidos desde 2002.

E, para atrair a população para o debate e conhecimento efetivo sobre o tema, que passou a ganhar repercussão nos últimos anos, a Apsen lançou a campanha 'TDAH Levado a Sério'. O evento que celebrou a novidade foi realizado em São Paulo nesta quarta-feira, 25, e contou com a participação de profissionais capacitados que compartilharam com o público um panorama do Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

O distúrbio neurobiológico de causas genéticas normalmente aparece na infância e pode acompanhar o indivíduo por toda vida afeta quase 11 milhões de pessoas no Brasil. O número equivale a cerca de 5 vezes a população de Salvador.

Embora mais associada ao desenvolvimento infantil, o TDAH também atinge maiores de 18 anos, chegando a atingir 2 milhões de pessoas com idade entre 18 e 44 anos. O psiquiatra Daniel Segenreich, professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Petrópolis, explica que estudos apontam que a agregação de sintomas em famílias é frequente, o que aponta componente genético.

Diagnóstico incorreto é comum

Em conversa com o Portal A TARDE, Daniel, que foi um dos participantes do lançamento da campanha 'TDAH Levado a Sério', alerta para a importância do diagnóstico correto. Segundo ele, é necessário seguir cinco critérios que abordam além da busca de sinais e sintomas e passa para outros critérios que, de certa forma, não cobram diagnóstico em uma questão mais neurobiológica.

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"Em algum grau, os sintomas de hiperatividade e desatenção são muito presentes na população, mas é a intensidade e todo comprometimento na infância, as questões relacionadas a não diagnóstico de coisas mais graves, que acabam definindo um diagnóstico certo", alertou Segenreich, que frisou que em todo o mundo são 5,9% de crianças e 2,5% de adultos diagnosticados.

"Infelizmente, há muito diagnóstico mal feito. Tem muitas pessoas com diagnóstico de TDAH, mas não têm TDAH por dificuldade de buscar, na verdade, um profissional especializado. Estamos tendo mais diagnósticos errados e muita gente que tem, mas não recebeu diagnóstico até hoje", lamenta Daniel.

Em crianças e adolescentes, o distúrbio pode resultar em problemas de comportamento, incluindo dificuldades com regras e limites. Já em adultos, o problema se manifesta pela desatenção para situações do cotidiano e do trabalho.

Apsen, uma empresa familiar

A farmacêutica Apsen foi fundada em 1969 pelo casal Mario e Irene Spallicci. A empresa começou como um pequeno laboratário na zona sul de São Paulo e atualmente é gerido por Renato Spallicci. A filha dele, Renata Spallicci, afirma que a farmacêutica tem a missão de contribuir com o país.

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Ao Portal A TARDE, Renata contou que a empresa tem orgulho de ser nacional e familiar e contribui com o país de diversas formas. "Uma delas é trazendo conhecimento científico, desmistificando uma série de informações relacionadas à saúde, trazendo soluções para os médicos. Nossa missão com esse projeto de levar o TDAH a sério é conseguir trazer esse conceito científico, esse embasamento para as pessoas serem tratadas da melhor forma possível, terem vida com maior qualidade".

Ela cita que a farmacêutica já atua na área do sistema nervoso central há algum tempo e após a decisão de trazer a atomoxetina para o Brasil, se aprofundou sobre o tema do TDAH e percebeu alguns quesitos sobre o distúrbio.

"A gente realmente percebeu esse movimento de popularização do tema e essa falta de informação consistente sobre o que de fato é TDAH, o que de fato são os sintomas, a busca por profissionais capacitados... A missão de levar a sério é para que as pessoas não banalizem o tema", conta Renata, que lança em novembro um livro sobre saúde mental, o 'Admirável Mundo Louco'.

"Nele eu falo tanto desse mundo que a gente está vivendo e o quanto esse mundo com sua aceleração, inteligência artificial, mídias sociais, excesso de informação, está nos levando a mais quadros de saúde mental. E aí eu trago uma parcela junto com o psiquiatra que me ajuda na parte científica para explicar o que é um estresse, ansiedade, depressão, quais questões de vício, e depois eu trago a luz: como procura ajuda? Como tratar do corpo, saúde e mente? Estou bem feliz e animada".

Medicamento deve estar disponível em breve

Atualmente, os medicamentos para o tratamento do TDAH disponíveis no Brasil têm característica estimulante, ou seja, são capazes de alterar o funcionamento do cérebro e funcionam aumentando os efeitos da dopamina e da noradrenalina, o que pode levar ao aumento da pressão arterial, função respiratória e euforia.

Com aprovação da Anvisa, o 'Atentah', primeiro medicamento não estimulante para o tratamento do distúrbio no país, deve chegar às farmácias muito em breve, segundo contou o gerente médico da farmacêutica Williams Ramos.

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"A gente está neste momento definindo o preço. A CMED [Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos], que é o órgão que define os preços aqui no Brasil vai finalizar o preço do produto para que daí a gente possa efetivamente divulgar e distribuir para ser comercializado".

O 'Atentah' terá seis apresentações. Segundo William, a média, que a maioria das pessoas vai utilizar, terá preço similar ou mais baixo ao que é oferecido atualmente. Ou seja, a estimativa é que a apresentação de 40ml custe cerca de R$ 160.

"Não posso afirmar com certeza qual vai ser o preço. Mas vai ficar em linha com o que há hoje no mercado", explica Williams. "É um remédio de prescrição e a gente conseguiu que o Brasil faça conforme todo o resto do mundo, à dupla carbonada, então todo profissional de saúde pode prescrever, não necessitando o receituário amarelo".

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