SAÚDE
NASA testa drones para agilizar transporte de órgãos para transplantes
Projeto busca reduzir o tempo de transporte entre hospitais com voos autônomos


A NASA deu mais um passo no desenvolvimento de uma tecnologia que pode mudar a logística dos transplantes de órgãos. A agência espacial norte-americana realizou um teste em que um drone transportou um rim por um trajeto sem contato visual direto do operador, simulando um cenário real de entrega entre hospitais.
O experimento ocorreu no Centro de Pesquisa Langley, na Virgínia, e integra uma série de estudos para verificar se aeronaves não tripuladas podem reduzir o tempo de transporte dos órgãos, fator considerado decisivo para o sucesso de muitos transplantes.
Drone voou além do alcance visual do piloto
Um dos principais desafios do teste foi permitir que a aeronave percorresse uma rota em que o operador já não conseguia enxergá-la a olho nu, condição conhecida como voo além da linha de visão (BVLOS, na sigla em inglês).
Para isso, a NASA utilizou um sistema de comunicação com rádios extras, que possibilitou acompanhar o drone remotamente a partir de uma central de monitoramento localizada a mais de um quilômetro do trajeto.
Toda a operação foi conduzida seguindo as normas da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), responsável pela regulamentação do espaço aéreo no país.
Rim serviu para avaliar a segurança do transporte
O órgão utilizado no experimento não estava apto para transplante em pacientes e foi empregado exclusivamente para pesquisas.
Agora, os especialistas vão analisar se o voo provocou alterações na temperatura ou danos aos tecidos do rim, informações consideradas essenciais para comprovar que o transporte por drone não compromete a qualidade dos órgãos.
Projeto quer encurtar o tempo entre hospitais
A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Rede Unificada de Compartilhamento de Órgãos (UNOS), entidade responsável por coordenar o sistema de transplantes nos Estados Unidos.
A proposta é criar uma rede de voos curtos, de até 24 quilômetros, capaz de ligar hospitais de forma rápida e eficiente. Como órgãos possuem um tempo limitado de preservação fora do corpo, reduzir minutos no deslocamento pode representar maiores chances de sucesso para pacientes que aguardam um transplante.
Outro benefício é a capacidade dos drones de pousarem diretamente em hospitais ou em locais de acesso restrito, evitando congestionamentos e diminuindo o tempo gasto no transporte terrestre.
Tecnologia seguirá modelo de "última milha"
O conceito utilizado pela NASA é semelhante ao empregado por empresas de logística nas entregas de mercadorias.
Nesse modelo, o transporte de longa distância continua sendo feito por aviões ou veículos convencionais. Já o drone assume apenas o trecho final do percurso, levando o órgão diretamente até a unidade hospitalar onde a equipe médica realiza o transplante.
Segundo a agência, essa estratégia pode tornar o processo mais ágil, principalmente em grandes centros urbanos, onde o trânsito costuma atrasar o deslocamento de ambulâncias e veículos especializados.
Próximos testes definirão viabilidade da tecnologia
Os pesquisadores ainda precisam comprovar que o transporte aéreo por drones preserva totalmente as condições dos órgãos durante todo o percurso.
Se os resultados forem positivos, a expectativa é ampliar os testes e aproximar a tecnologia de futuras operações reais, criando uma nova alternativa para tornar os transplantes mais rápidos e aumentar as chances de salvar vidas.