SAÚDE
Nova injeção contra HIV: Anvisa autoriza remédio aplicado semestral
Aprovação é considerada um marco histórico por especialistas

Por Isabela Cardoso

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu sinal verde, nesta segunda-feira, 12, para o lenacapavir, o primeiro medicamento injetável de longa duração para prevenção e tratamento do HIV no Brasil.
Comercializado sob o nome Sunlenca, o fármaco do laboratório Gilead Sciences revolucionou a medicina ao exigir apenas duas aplicações por ano.
A aprovação é considerada um marco histórico por especialistas, já que o medicamento oferece uma proteção superior à PrEP oral (comprimidos diários), facilitando a adesão ao tratamento e à prevenção.
Prevenção e tratamento
A autorização da Anvisa contempla dois públicos específicos:
Profilaxia Pré-Exposição (PrEP): Destinada a pessoas soronegativas (com mais de 12 anos e peso acima de 35 kg) que buscam prevenir a infecção. Em estudos clínicos, a eficácia chegou a 100% em mulheres cis e 96% em grupos diversos.
Tratamento de resgate: Focada em pacientes que vivem com HIV e que desenvolveram resistência a outras classes de antivirais, oferecendo uma nova chance de supressão viral para casos complexos.
Injeção semestral vs. Comprimidos diários
Atualmente, o SUS oferece a PrEP em comprimidos, que é altamente eficaz, mas exige disciplina rigorosa para ingestão diária. O lenacapavir elimina esse entrave logístico.
"É um medicamento inovador, com mecanismo de ação totalmente novo, o que amplia de forma concreta as opções de prevenção e tratamento disponíveis. Agora, o próximo passo é discutir acesso, incorporação e sustentabilidade, especialmente no SUS", afirma Alexandre Naime Barbosa, chefe do departamento de Infectologia da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp).
O desafio do acesso e o preço no Brasil
Apesar do entusiasmo da comunidade científica, o custo é a principal barreira. Nos EUA, o tratamento anual gira em torno de US$ 28 mil (cerca de R$ 150 mil).
No Brasil, os próximos passos incluem:
- CMED: Definição do preço máximo de venda.
- CONITEC: Avaliação de custo-efetividade para possível incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Um ponto de polêmica é a exclusão do Brasil dos acordos de licenciamento para genéricos em países de baixa renda, o que pode encarecer a chegada do remédio à rede pública.
Por que não é uma vacina?
Embora seja injetável e preventivo, o lenacapavir não é uma vacina. Enquanto as vacinas estimulam o sistema imunológico a produzir suas próprias defesas, o lenacapavir é um antiviral de longa duração que circula no sangue e bloqueia a replicação do vírus diretamente. Se as aplicações forem interrompidas, a proteção cessa.
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