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Pacientes usam web para conscientizar sobre fibromialgia

Publicado sábado, 11 de maio de 2013 às 20:08 h | Atualizado em 22/01/2021, 00:00 | Autor: Paula Pitta
Denise sofreu mais de dez anos com a doença sem diagnóstico
Denise sofreu mais de dez anos com a doença sem diagnóstico -

Imagine sentir dores crônicas em várias partes do corpo, fazer exames que mostram estar tudo normal com o organismo, mas as dores continuam incomodando. É isso que acontece com as pessoas que sofrem de fibromialgia, que muitas vezes nem sabem que têm a doença. Para ajudar na divulgação da enfermidade e facilitar o diagnóstico, a Associação Brasileira dos Fibromiálgicos (Abrafibro) contatou o A TARDE On Line através da fanpage do Facebook. A ação faz parte de uma campanha que lembra Dia Mundial da Fibromialgia, neste domingo, 12.

A pedagoga Denise Ferreira conviveu dez anos com a doença sem saber o que tinha. "Desde criança que eu tinha sintomas, como insônia e irritabilidade, mas um acidente desencadeou a doença. Comecei a sentir muita dor nas costas. Ia ao médico, fazia exame e não tinha diagnóstico. Fiquei muito tempo com  essa dor, chorava, porque era uma dor terrível. Foram mais de dez anos até que comecei a descobrir o que era. Muita gente tem e não sabe", relata.

Além da dificuldade em descobrir o problema, os pacientes enfrentam preconceito de familiares e inclusive de médicos. "Você vai encontrar boa parte dos médicos que não acreditam na condição da fibromialgia como doença. Os médicos investigam e como o exame dá normal, dizem que a pessoa não tem nada. Dizem que é coisa da sua cabeça, mas a dor continua. A tendência quando se referem a fibromialgia é minimizar. Realmente é coisa emocional, mas que tem que ser tratada, porque reflete no desenvolvimento da pessoa. É incapacitante. Quem consegue trabalhar sentindo dor? É normal ficar deprimido, já que a pessoa tem uma dor que não consegue resolver", explica a médica assistente do Núcleo de Reumatologia da Bahia, Liliana d'Almeida Galrão.

Os parentes também não entendem o quadro. "O paciente com fibromialgia é tido como preguiçoso, que não gosta de trabalhar. A própria família não vai acreditar (que ele está doente). O paciente passa por situação de aceitação e preconceito", complementa a reumatologista.

Estresse - De acordo com a especialista, a base dessa doença reumática é um processo emocional de estresse, que desencadeia a síndrome com múltiplas manifestações de dores crônicas. Como não há um exame específico para identificar a enfermidade, o diagnóstico é feito por exclusão. "Hoje o diagnóstico é subjetivo e baseado na história da pessoa. São quadros de dores no corpo todo e de forma incapacitante, que impedem de realizar atividades de trabalho e lazer. Isso dura meses. Há queixas de sono não reparador".

Como não consegue dormir direito, o enfermo passa o dia cansado e sem energia, o que pode gerar quadros depressivos. A fibromialgia também pode desencadear outras doenças, como problemas neurológicos e intestinais.

A reumatologista alerta que a enfermidade é mais comum em mulheres, mas também acomete homens e crianças. Não há estatísticas oficiais, mas a médica diz que tem aumentado o diagnóstico por conta do cenário de estresse da vida moderna, marcada por correria e competitividade.

A reumatologista alerta que a enfermidade é mais comum em mulheres, mas também acomete homens e crianças. Não há estatísticas oficiais, mas a médica diz que tem aumentado o diagnóstico por conta do cenário de estresse da vida moderna, marcada por correria e competitividade.

O tratamento para a fibromialgia tem que ser multidisciplinar, com medicamentos prescritos por um reumatologista e acompanhamento de um psicólogo. "Não adianta dar só medicação, se não tratar de forma global. Precisa conhecer o que levou a pessoa a esse processo da fibromialgia. A partir do momento que a pessoa descobrir isso e aprender a lidar com essa situação de estresse, fica livre de medicamentos", diz Liliana Galrão.

Além de psicoterapia, acunpuntura, pilates, hidroginástica e outras atividades físicas ajudam na recuperação do paciente. Denise controla a doença com medicamentos e massagem fisioterápica, o que a levou até a voltar a trabalhar. "Eu faço a massagem e consegui voltar a ficar em pé. Hoje trabalho readaptada. Me esforço para ter uma vida normal. Tem hora que dói, mas não vou ficar curtindo dor. Tento não me entregar, mas me respeito, entendo meu tempo".

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