SAÚDE
Poluição do ar prejudica seu exercício? Estudo revela a verdade
Ambientes com alta poluição do ar neutralizam metade dos efeitos protetores

Por Isabela Cardoso

Por anos, a ciência reafirmou o vínculo indissociável entre a prática regular de atividades físicas e a diminuição do risco de mortalidade. No entanto, pesquisas recentes trouxeram um alerta importante para quem treina em grandes centros urbanos: esse efeito protetor é drasticamente reduzido em ambientes com altos níveis de poluição do ar.
Um estudo de grande escala, publicado na renomada revista BMC Medicine, acompanhou cerca de 1,5 milhão de adultos por mais de uma década. A
conclusão é direta: concentrações elevadas de partículas finas, especificamente as PM2,5, que são capazes de atingir as regiões mais profundas do nosso sistema respiratório, enfraquecem significativamente os ganhos da atividade física.
O efeito protetor cai pela metade
O estudo apontou que o efeito protetor do exercício se degrada de forma notável quando a concentração média anual de partículas finas supera 25 microgramas por metro cúbico ($\mu g/m^3$), um patamar que afeta quase metade da população global.
A equipe de pesquisa observou que indivíduos que acumulavam pelo menos duas horas e meia semanais de exercícios moderados ou intensos apresentavam, de fato, menor probabilidade de morte durante o período monitorado. No entanto, o cenário mudou drasticamente em locais altamente poluídos:
- Redução de 50%: Entre aqueles submetidos a ambientes com a maior carga de poluição, o benefício de longevidade proporcionado pelo exercício foi reduzido em cerca de 50%.
- Risco de câncer: A redução foi ainda mais discreta em locais onde as concentrações ultrapassavam $35 \mu g/m^3$, afetando sobretudo o risco associado a mortes por câncer.
Nas regiões com índices de poluição abaixo do patamar crítico, os efeitos positivos do exercício foram preservados com muito mais eficácia.
O exercício continua recomendado: a chave é a adaptação
É fundamental ressaltar que, apesar da diminuição dos benefícios, o exercício físico continua sendo recomendado e seus ganhos não são anulados por completo. A palavra-chave, agora, é adaptação.
Para manter a prática segura e eficaz, especialmente em cidades com ar de baixa qualidade, os especialistas recomendam uma série de cuidados estratégicos:
Horário e local: Priorize a escolha de horários de menor tráfego de veículos e dê preferência a áreas verdes ou parques que ajudem a filtrar o ar.
Monitoramento: Ajuste a intensidade do seu treino em dias de pior qualidade do ar ou opte por ambientes internos bem ventilados.
Segurança pessoal: O monitoramento dos índices ambientais e, em alguns casos, o uso de máscaras adequadas, pode ajudar a diminuir a exposição direta aos poluentes.
Atenção redobrada para grupos de risco
Pessoas que já possuem doenças respiratórias ou cardíacas devem ter a atenção redobrada. Nesses casos, o acompanhamento profissional regular é indispensável. Observar sinais de alerta como falta de ar, tosse persistente ou fadiga incomum é crucial.
Para esse grupo, a adaptação da rotina de exercícios às condições do ar não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade para preservar os efeitos positivos da atividade física sem comprometer a saúde.
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