Solenidade celebra 1 ano do Centro para Pessoas com Doença Falciforme | A TARDE
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Solenidade celebra 1 ano do Centro para Pessoas com Doença Falciforme

Entidade, que trata enfermidades hematológicas, realizou 117.166 atendimentos em 2023

Publicado terça-feira, 12 de março de 2024 às 15:18 h | Autor: Da Redação
Bahia é o estado que apresenta a maior incidência de DF no país
Bahia é o estado que apresenta a maior incidência de DF no país -

O Centro Estadual de Referência às Pessoas com Doença Falciforme – Rilza Valentim (CERPDF), em Salvador, completou um ano de inaugurado. A entidade, modelo para o atendimento e o tratamento das enfermidades hematológicas benignas no Brasil e em outros países, como Angola, realizou 117.166 atendimentos/procedimentos em 2023.

A Bahia é o estado que apresenta a maior incidência de DF no país, uma vez que a população possui significativa miscigenação racial, com predomínio da raça negra. Caracteriza-se por uma alteração nos glóbulos vermelhos que adquirem o aspecto de uma foice (falciforme), dificultando a passagem do sangue pelos vasos sanguíneos. No Brasil, estima-se o nascimento de 700 a 1.000 casos novos de DF/ano. Na Bahia, tem incidência estimada da doença em 1 caso para cada 650 nascimentos.

Para celebrar o aniversário de funcionamento do Centro de Referência, será realizada uma solenidade nesta quarta-feira, 13, a partir das 9h, com as presenças da secretária de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), Roberta Santana, e da Percussão da Escola do Olodum. O CERPDF, em colaboração com a SESAB, está organizando um censo para mapear o número de pessoas afetadas pela doença falciforme na Bahia, quantos estão em tratamento e quais regiões de saúde com maior prevalência para possibilitar o desenvolvimento de políticas públicas mais efetivas.

Na quarta, no auditório, de 9h às 10h, haverá um momento de práticas integrativas complementares em saúde para os pacientes, com Elizabete Rocha, terapeuta holística transpessoal. À noite, às 18h, acontecerá a 9ª edição da live Café com Saúde transmitida pelo canal da Hemoba no Youtube, com o tema “Um olhar diferenciado sobre a Doença Falciforme e Auto Cuidado”, mediada pela hematologista Jamile Nicanor e com as participações da diretora Larissa Rocha e a coordenadora de enfermagem Maria Claudia. O Café com Saúde foi criado com o objetivo de dar visibilidade e debater temas de relevância para pacientes com doença falciforme e profissionais de saúde.

O CERPDF realiza atendimento ambulatorial nas especialidades de hematologia, gastroenterologia, nutrição, psicologia, odontologia, fisioterapia, serviço social e assistência farmacêutica. Conta também com uma agência transfusional e oferece ainda doppler transcraniano, fundamental para diagnóstico precoce de alterações de vasos cerebrais relacionadas com o desenvolvimento de AVC. A equipe multidisciplinar, composta por 141 profissionais, atende pacientes, principalmente, oriundos de cidades do interior do estado (cerca de 51%).

Segundo a SESAB, em pesquisa de satisfação realizada pelo Centro em dezembro do ano passado, respondida por mais de mil usuários, entre 80% a 90% demonstraram satisfação com os atendimentos médico, farmacêutico e de enfermagem, limpeza do ambiente e marcação de consultas.

Para o futuro, estão previstos projetos de descentralização e regionalização do atendimento às pessoas com doenças hematológicas benignas, principalmente, a doença falciforme. Entre eles, está o Hemocentro Regional de Vitória da Conquista, programado para ser entregue no segundo semestre deste ano, com investimento de R$ 4 milhões. Na unidade, haverá serviços de transfusão ambulatorial, atendimento médico e de enfermagem para pacientes com DF, farmácia para dispensação de medicamentos, assistência social para encaminhamentos de demandas dos pacientes e produção de plaquetas e crio para suporte transfusional dos pacientes.

Outro projeto é a ampliação do Programa de Doadores Fenotipados, que visa descentralizar a realização desses testes para os laboratórios das unidades da Hemoba em mais sete municípios do interior do estado e ampliar o número de doadores cadastrados. Fenotipar o sangue de doadores regulares significa identificar mais características além dos conhecidos subgrupos ABO e fator Rh, que formam o chamado tipo sanguíneo, como AB negativo ou O positivo, por exemplo.

A identificação desses doadores é fundamental para assistência de pacientes que necessitam de fenótipos incomuns e raros e garante mais segurança às transfusões para pacientes com doença falciforme e outras doenças hematológicas. Atualmente, há a fenotipagem de 400 novos doadores mensalmente e o objetivo é ampliar para 100 doadores ao mês em abril, na capital e nas unidades de Feira de Santana, Barreiras, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista, Teixeira de Freitas, Juazeiro e Jequié.

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