SAÚDE
“Uso de solvente só agrava o problema”, diz dermatologista sobre retirada de petróleo cru da pele


É desaconselhável o uso de solventes ou líquidos semelhantes para remover o óleo da pele de trabalhadores que atuam na limpeza das praias. A recomendação foi feita pelo dermatologista Dr. Ricardo Sá, nesta sexta-feira, 23, em entrevista ao programa ‘Isso é Bahia’, da Rádio A TARDE FM, apresentado por Jefferson Beltrão e Fernando Duarte.
Diante do número crescente de pessoas envolvidas com a retirada de pelotas de petróleo cru das áreas afetadas pelo desastre ambiental no Nordeste, métodos abrasivos têm sido erroneamente utilizados para limpar resquícios de óleo da pele, podendo levar o público afetado ao desenvolvimento de doenças dermatológicas.
“Nossa orientação é a remoção do material com água, sabão neutro ou óleo vegetal. O petróleo deve ser removido delicadamente com uma gaze ou pano limpo, de uma forma que não agrida a pele. O uso de solvente pode causar queimadura ou até dermatite, e só agrava situação da pele que já está sensibilizada pelo óleo”, alertou.
De acordo com as orientações do médico, mesmo com o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), é necessário tomar cuidado com o manuseio do produto. O uso das luvas de borracha, por exemplo, por serem feitas de látex, podem deixar resíduos passarem para a pele. O ideal seria o uso de luvas de nitrila para proteção.
“Há lugares da pele que são mais sensíveis. Por exemplo, na sola do pé, que tem a pele muito espessa, a dermatite pode ser bem leve ou não ocorrer. Mas, em lugares de pele mais fina, há uma probabilidade maior de desenvolvimento da doença. Para o tratamento, a depender do grau, pode-se usar um creme ou um corticoide”, pontuou o dermatologista, enfatizando a necessidade haver sempre o acompanhamento de profissional para indicar o melhor tratamento.
Para o Dr. Ricardo Sá, além dos cuidados com a pele, é necessárioa uma proteção inalatória para o trabalho, visto que o petróleo na temperatura a partir de 27º se torna volátil e pode levar gases tóxicos ao pulmão. É necessário também ter cautela durante o banho de mar, sobretudo com a maré baixa, pois pode haver óleo diluído na água, o que aumenta as chances do desenvolvimento de um quadro extenso de dermatite e absorção percutânea.
*Sob a supervisão da jornalista Keyla Pereira