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Vacinação contra gripe tem início este mês

Bahia tem alta nos casos de SRAG e risco da circulação simultânea dos vírus da Covid-19 e Influenza A

Publicado sábado, 02 de março de 2024 às 06:30 h | Autor: Ian Peterson*
Vacinação e medidas preventivas são essenciais
Vacinação e medidas preventivas são essenciais -

Em resposta ao aumento das hospitalizações por síndromes respiratórias agudas graves (SRAG) ligadas à Covid-19 e à preocupante circulação do vírus Influenza A em diversas regiões do centro-sul brasileiro, o Ministério da Saúde antecipou a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe para 25 de março. A medida vem em um momento crítico, conforme destacado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no mais recente Boletim InfoGripe, que também aponta para a simultaneidade dos casos de dengue, aumentando a complexidade do cenário epidemiológico nacional.

No estado da Bahia, a tendência atual indica um aumento significativo nos casos de SRAG, com um notável aumento nos casos de diagnóstico positivo para o Influenza A, o vírus da gripe. Embora haja uma grande quantidade de casos relacionados à Covid-19, o estado enfrenta uma situação preocupante de disseminação de vírus.

De acordo com dados da Sesab, foram notificados 792 casos de SRAG e 39 óbitos. Desses, foram 182 casos confirmados de Covid-19 com 21 mortes, e 37 foram casos de influenza com uma morte. Sendo as maiores vítimas as crianças e recém-nascidos até os cinco anos de idade.

Simultânea

“Embora a Covid esteja gerando um número muito mais expressivo de internações do que a gripe, observamos essa circulação simultânea. Alguns estados do Nordeste, em particular a Bahia, também mostram aumento de internações com uma associação bastante sugestiva da gripe”, diz o pesquisador do Programa de Computação Científica da Fiocruz, Marcelo Gomes.

A capital baiana naturalmente se destaca na concentração de casos de ambas as doenças, por conta da densidade populacional. São 22 confirmados de influenza e 77 de Covid, além de seis mortes. O único óbito confirmado tendo a gripe como causadora foi em Vitória da Conquista.

Diante desse cenário, autoridades de saúde intensificam esforços para ampliar a cobertura vacinal e reforçar medidas preventivas. A médica pesquisadora da Fiocruz e professora da Faculdade Baiana de Medicina, Fernanda Grassi, ressalta a necessidade de atingir uma cobertura vacinal mais abrangente. Isso inclui a administração do esquema primário para novos grupos elegíveis e doses de reforço anuais, especialmente para aqueles em grupos de risco, como idosos, gestantes, imunossuprimidos e crianças. “Além disso, medidas como o uso de máscaras, testagem frequente e a higiene das mãos são essenciais para prevenir a propagação de doenças respiratórias.” conta ela.

Quase como uma reação rápida à pesquisa da Fiocruz, o Ministério da Saúde anunciou decisão de antecipar a Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, iniciando em 25 de março. Tradicionalmente realizada entre abril e maio, a imunização foi adiantada devido ao aumento da circulação de vírus respiratórios em todo o país, conforme informado pelo Ministério da Saúde.

A pesquisadora destacou a importância da vacinação contra a influenza, explicando que a vacina é adaptada anualmente para se alinhar às cepas predominantes. “Essa adaptação é essencial para garantir a eficácia da vacina contra as variações do vírus influenza. Ao prever as cepas predominantes, podemos melhorar a proteção oferecida pela vacina”.

“Mesmo com a diminuição dos anticorpos ao longo do tempo, as vacinas mantêm sua eficácia, principalmente devido à presença de memória imunológica através das células citotóxicas. As doses de reforço, especialmente com a formulação bivalente, são cruciais para sustentar essa imunidade”.

“Além da vacinação, medidas como o uso de máscaras, testagem frequente e a higiene das mãos são essenciais para prevenir a propagação das doenças respiratórias.

*Sob supervisão de Hilcélia Falcão.

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