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Pianista contesta a avaliação da Ufba

Dinaldo dos Santos

Por Dinaldo dos Santos

04/05/2008 - 9:54 h

Um contestado resultado obtido na prova de habilitação específica para o curso de instrumento, no último vestibular da Universidade Federal da Bahia (Ufba), vem sendo há mais de dois meses o motivo da ansiedade e expectativa que vive a médica aposentada Célia Lago, 70 anos. Ela aguarda a decisão que, provavelmente, será conhecida amanhã, do julgamento do recurso que solicitou à Escola de Música da Ufba, desde 18 de fevereiro deste ano. A candidata não entende a razão da sua reprovação no teste prático realizado ao piano.

“Está na cara, não tem outro motivo, o problema é a minha idade”, desabafa Célia, acreditando que foi discriminada, apesar de ter sido bem sucedida na prova que fez em dezembro do ano passado. “No meio dos testes, me pediram Bach e eu toquei, depois foi a Sonata de Beethoven, e até Villa-Lobos executei sem problemas. Saí da sala tranqüila, na certeza da aprovação”, contou desapontada, mas esperançosa por uma boa notícia. “Recebi uma ligação do Colegiado de Música, na quarta-feira, pedindo que eu fosse lá amanhã, espero que meu pedido tenha sido deferido”, disse.

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A coordenadora das provas de habilitação específica da Escola de Música, no vestibular de 2008, Sônia Chadler, informou que a mesma junta que decidiu pela reprovação da candidata – formada por Maria Alice Régis, Paulo Novais e Eduardo Garcia – é que faz a avaliação.

No vestibular de 2007, Célia já havia chegado à segunda fase de provas, concorrendo à uma vaga no mesmo curso. Na ocasião, ela obteve média para classificação, mas não foi selecionada dentro do número de vagas disponíveis. “Me disseram que se eu tivesse optado pelas cotas para afro-descendentes eu teria sido aprovada. Mas o que mais me intriga é como a mesma professora que me deu uma nota nove, em um ano, me dá zero no outro”, questionou.

A avaliadora Maria Alice Régis confirmou que ela realmente se saiu bem na prova anterior, “mas nada garante que um ano depois a pessoa tenha o mesmo desempenho”, explicou, reforçando que não existe nenhuma discriminação neste processo.

A relação que Célia Lago mantém com o piano começou quando ainda era criança. Ela estudava com uma professora que morava em frente à sua casa na cidade de São Félix, onde foi criada, depois de ser adota por um casal. Célia recorda: “Aos três anos, eu tocava Atirei o pau no gato”. Quem ouvia dizia: essa menina tem um ouvido bom”, relata.

A pianista exibe com orgulho uma fotografia que registra de quando tinha 5 anos: “Lembro que, aqui, eu estava tocando a Serenata de Schubert”, recorda, olhando para o retrato. Atendendo ao pedido do repórter, executou a música, dando como brinde: “Jesus, alegria dos homens” e “Cantata 156” de Bach.

Aos 13 anos, já morando em Salvador, Célia venceu um concurso promovido pela Secretaria de Educação e Cultura que lhe credenciava a estudar no Rio de Janeiro, no curso da pianista brasileira, Madalena Tagliaferro (morta em 1986). Mas os pais não permitiram que viajasse, porque era ainda muito nova e não tinha parente no Rio. “Vocês me entregaram!”, brincou, se referindo a uma edição de A TARDE, que publicou, naquela ocasião, reportagem com sua foto. Até aquele momento ninguém em casa sabia do concurso.

Apesar da preferência, o clássico não é uma exclusividade em seu repertório. Ela já tocou nas noites de Salvador, em casas como Baby Beef Grill, Vento Leste e a Cantina Salvatore, onde o popular era também solicitado e sempre correspondeu aos pedidos dos clientes.

A medicina não foi a primeira graduação buscada por Célia. Antes disso, ela se formou em história natural, curso que hoje é conhecido como ciências biológicas. “Eu já não era mais uma garota quando estudei medicina. Eu estava casada e já tinha um dos meus seis filhos”, conta, lembrando que na época o marido não concordava que ela estudasse. No entanto, ela persistiu, se formou e conseguiu atuar nas áreas de neonatologia, obstetricia e geriatria.

DESFECHO – Depois da aposentadoria, estudou alguns semestres na Escola de Artes Cênicas da Ufba e encenou a peça Viúva, porém honesta, escrita por Nelson Rodrigues. O que ela persegue, agora, é a graduação que venha ratificar o seu talento musical: “Tentei isso em 1998, estudando composição e regência, mas abandonei o curso, porque as músicas trabalhadas eram muito atonais”, explicou.

É possível que amanhã Célia conheça o desfecho do seu requerimento. “Já estamos no segundo trimestre do ano, mas ainda tenho a esperança de ser matriculada no curso”, revela.

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