ZONA PET
Alimentação natural ou ração: qual a melhor dieta para seu pet?
Dieta personalizada pode melhorar a qualidade de vida, mas erros no preparo trazem riscos

Por Victoria Isabel

A alimentação natural para cães e gatos tem conquistado cada vez mais adeptos, mas ainda levanta dúvidas e pode representar riscos quando adotada sem acompanhamento profissional. Além disso, a falta de informação sobre como realizar a transição correta da dieta equilibrada ainda afasta muitos tutores da ideia de diversificar o cardápio dos pets.
Segundo o médico-veterinário Dr. Alan Pazian, em entrevista ao Portal A TARDE, esse tipo de dieta só é segura quando formulada de forma individualizada e com orientação de um especialista em nutrição animal.
O que é, de fato, alimentação natural?
De acordo com Alan, a alimentação natural (AN) é um plano alimentar técnico, elaborado conforme as necessidades específicas de cada animal, levando em conta espécie, idade, peso, nível de atividade, condição corporal e estado clínico.
“Ela utiliza ingredientes in natura ou minimamente processados, em proporções exatas de macro e micronutrientes, além de suplementação obrigatória quando indicada. Dar restos de comida humana não é alimentação natural. Pelo contrário, pode ser extremamente perigoso”, explica o veterinário.
Isso porque, segundo o veterinário, alimentos do dia a dia das pessoas costumam ter excesso de sódio, gorduras, açúcares e condimentos, além de ingredientes tóxicos para cães e gatos, como cebola, alho, uva, chocolate, adoçantes e ossos cozidos.
“A prática também desrespeita a relação cálcio-fósforo, essencial para a saúde óssea, e pode levar a doenças como pancreatite, obesidade, disbiose intestinal e insuficiência renal”, completa.

Quando a alimentação natural é indicada?
Segundo o médico-veterinário, embora a ração seja defendida pela praticidade e equilíbrio nutricional imediato, a alimentação natural pode ser indicada em situações específicas, como:
- Animais com doenças crônicas (renais, hepáticas, gastrointestinais, oncológicas)
- Pets com alergias ou intolerâncias alimentares
- Pacientes com sensibilidade digestiva, baixa palatabilidade ou recusa alimentar
- Situações em que se busca maior controle da qualidade e origem dos ingredientes
Desafios para tutores
Contudo, a alimentação natural leva alguns desafios para os tutores. Segundo o Dr. Pazian, os principais são o tempo de preparo, a organização da rotina e a necessidade de formulação profissional.
“Sem orientação técnica, a dieta pode parecer saudável, mas ser metabolicamente inadequada”, alerta.

Avaliações antes da mudança de dieta
Antes de iniciar qualquer transição alimentar, o especialista recomenda uma avaliação clínica completa, com exames como: hemograma, perfil bioquímico (ureia, creatinina, enzimas hepáticas, glicemia e proteínas totais), além da análise da condição corporal e da massa muscular.
"Em alguns casos, exames de fezes, ultrassonografia ou avaliações hormonais também podem ser necessários”, ressalta.
Durante a adaptação, os sinais positivos incluem:
- Fezes bem formadas e sem odor excessivo
- Pelagem mais brilhante e redução de queda
- Boa aceitação alimentar
- Energia adequada e manutenção do peso
Sinais de alerta:
- Diarreia persistente
- Perda ou ganho de peso não planejado
- Letargia
- Vômitos recorrentes
Dieta como aliada no tratamento de doenças crônicas
Dr. Alan Pazian ainda destacou como a alimentação natural pode ser aliada no tratamento de doenças crônicas se feita corretamente. “Em doenças como câncer, enteropatias, insuficiência renal ou hepática, a alimentação natural permite algo que a ração comercial não consegue oferecer plenamente: personalização metabólica”, diz o médico-veterinário.
Ele listou uma série de benefícios que podem ser gerados:
- Ajuste da densidade energética para evitar caquexia
- Controle específico de proteínas, fósforo e sódio
- Inclusão estratégica de gorduras anti-inflamatórias (ômega-3)
- Redução de ingredientes pró-inflamatórios
- Maior digestibilidade e biodisponibilidade dos nutrientes
Contudo, o médico alerta que a dieta não substitui o tratamento médico. “Ela atua como suporte terapêutico, melhorando a resposta clínica, qualidade de vida e adesão ao tratamento”.
Riscos da falta de suplementação
Um dos maiores perigos da alimentação natural sem orientação profissional é a deficiência de vitaminas e minerais.
"A falta de cálcio pode causar osteopenia e fraturas; deficiência de zinco afeta a pele e a imunidade; ausência de vitaminas do complexo B pode gerar alterações neurológicas; e a carência de iodo pode levar a distúrbios da tireoide", alerta o médico.
“O problema é que essas deficiências são silenciosas no início e, muitas vezes, irreversíveis quando identificadas tardiamente. Por isso, alimentação natural sem suplementação adequada não é natural, é deficiente”, completa.
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