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Quase 80% dos pais baianos apoiam regulação das redes para proteger menores

Levantamento revela que famílias consideram insuficiente o controle apenas dentro de casa

Isabela Cardoso
Por
| Atualizada em
Cresce pressão por regras mais rígidas nas redes sociais após avanço do uso infantil
Cresce pressão por regras mais rígidas nas redes sociais após avanço do uso infantil -

O avanço do uso de celulares entre crianças e adolescentes tem levado pais baianos a cobrar maior controle sobre as plataformas digitais. Uma pesquisa realizada pela AtlasIntel, em parceria com o jornal A TARDE, mostra que 78,2% dos pais e responsáveis na Bahia defendem uma ampliação da regulação das redes sociais para restringir o acesso de menores a conteúdos nocivos.

O dado revela uma mudança importante na percepção das famílias: mesmo com regras em casa, apenas o
controle familiar já não é suficiente diante da influência dos algoritmos e da exposição precoce às telas.

O debate sobre a transferência de parte da responsabilidade para o poder público ganha força com o apoio popular massivo. Para o advogado digital, Afonso Morais, essa intervenção não é apenas uma demanda social, mas um dever jurídico.

“O Estado pode e deve atuar quando existe risco à integridade de crianças e adolescentes. A liberdade de expressão não é absoluta. O próprio Estatuto da Criança e do Adolescente e a Constituição permitem limites quando há violência, exploração infantil, pornografia ou estímulo a crimes nas plataformas”, afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Quase 80% dos pais baianos apoiam regulação das redes para proteger menores
| Foto: Túlio Carapiá

Apoio à intervenção estatal cresce entre famílias

O apoio à regulação das plataformas digitais aparece de forma ampla entre diferentes perfis sociais, mas com diferenças significativas entre gênero, renda e posicionamento político.

Entre as famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, o índice de aprovação da intervenção estatal chega a
92,5%, o maior registrado pela pesquisa.

As mulheres demonstram maior adesão à ideia de intervenção estatal. Segundo o levantamento,
83,8% das mães ou responsáveis do sexo feminino defendem maior regulação das plataformas digitais, contra 70,1% dos homens.

O recorte político revela uma das maiores divisões do estudo. Entre os eleitores do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, 90,6% apoiam maior regulação das redes sociais. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, a maioria rejeita a medida: 53,8% se posicionam contra a ampliação da intervenção estatal.

Apesar das divergências políticas, o temor sobre os efeitos das redes sociais entre menores é praticamente consensual. O estudo mostra que 65% dos pais estão muito preocupados com dependência digital e 55% apontam receio relacionado à saúde mental dos filhos.

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Algoritmos e o "vício deliberado"

Aadvogado digital, Afonso Morais
Aadvogado digital, Afonso Morais | Foto: Divulgação

A pesquisa aponta que a dificuldade de controle não é apenas uma falha educacional, mas uma luta contra sistemas projetados para a retenção máxima de atenção. Morais destaca que muitos algoritmos estimulam comportamentos semelhantes à dependência.

“Na prática, muitos algoritmos são criados para prender atenção o máximo possível. Isso gera um comportamento parecido com dependência digital. O problema é que crianças e adolescentes ainda não têm maturidade emocional para lidar com esse modelo”, reforça.

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Os números da pesquisa mostram que 79,5% dos entrevistados afirmam estabelecer regras claras para o uso do celular pelos filhos. Ainda assim, 97,3% acreditam que o uso excessivo causa prejuízos para crianças e adolescentes.

Lacunas na proteção e crimes virtuais

A pesquisa revela que a exposição a conteúdos inadequados lidera o ranking de apreensão entre os responsáveis. O receio inclui pornografia, violência, apostas online, desafios perigosos e contatos com desconhecidos.

Para Morais, o Brasil possui instrumentos como o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o Marco Civil da Internet, mas falha na agilidade.

“Hoje, as plataformas já podem ser responsabilizadas quando se omitem diante de conteúdos ilegais envolvendo menores. O problema é que muitas agem só depois do dano acontecer. E no ambiente digital, às vezes minutos já destroem uma vida [...] Ainda faltam regras mais fortes sobre verificação de idade, funcionamento dos algoritmos e responsabilização mais rápida das plataformas”, detalha.

O que diz a lei e como agir

Enquanto as "regras fortes" citadas por Afonso Morais não chegam, o suporte jurídico foca no combate a crimes como cyberbullying, sextorsão e aliciamento.

A recomendação é clara: diante de qualquer abuso ou crime digital, os pais devem realizar o boletim de ocorrência e buscar apoio especializado imediatamente.

A nível regulatório, diretrizes do
Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) já classificam, desde 2014, como abusiva a publicidade direcionada ao público infantil que utilize linguagem ou apelos excessivamente lúdicos para incentivar o consumo, um passo importante na tentativa de blindar o ambiente digital para os menores.

AtlasIntel/A TARDE

O levantamento AtlasIntel em parceria com o jornal A TARDE entrevistou 1.042 pais e responsáveis na Bahia, por meio de recrutamento digital, entre os dias 26 e 30 de abril de 2026. A margem de erro é de ±3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

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