Busca interna do iBahia
HOME > a tarde + > CINEINSITE

CINEINSITE JÁ VIU

“Godzilla e Kong: O Novo Império” serve porradaria e repete erros

Filme é o quinto do universo compartilhado de monstros da Warner e Legendary

Edvaldo Sales
Por Edvaldo Sales
“Godzilla e Kong: O Novo Império” foi dirigido por Adam Wingard
“Godzilla e Kong: O Novo Império” foi dirigido por Adam Wingard -

É difícil não comparar “Godzilla e Kong: O Novo Império”, quinto filme do MonsterVerse - o universo compartilhado de monstros da Warner e Legendary - com outras produções que têm os famosos kaiju como principal atrativo. A comparação se torna ainda mais inevitável porque o lançamento acontece meses após o magnífico “Godzilla Minus One” estrear e fazer história no Oscar. No entanto, ela é injusta.

>>> “Godzilla e Kong”: O que assistir antes do novo filme do MonsterVerse

Tudo sobre CINEINSITE em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Isso porque são filmes com propostas diferentes, apesar de possuírem o mesmo personagem-título. Enquanto o longa da Toho usa o Rei dos Monstros para abordar traumas que são periodicamente realimentados no Japão, “Godzilla e Kong: O Novo Império” foge do drama e se mostra muito mais interessado em criar embates épicos e extrapolar os poucos limites que o espectador acredita existir dentro daquele universo.

A história se passa alguns anos após os eventos de “Godzilla vs Kong”, de 2021, quando um grupo composto pela jovem Jia (Kaylee Hottle), a cientista Ilene Andrews (Rebecca Hall), o teórico da conspiração, Bernie (Brian Tyree Henry) e o excêntrico veterinário Trapper (Dan Stevens) vai à Terra Oca para investigar um pedido de socorro. Lá, eles descobrem uma ameaça que pode comprometer a sobrevivência da humanidade. Diante disso, os titãs mais famosos da cultura pop precisam se unir para impedir um ataque à superfície.

Assim como alguns dos seus antecessores, “Godzilla e Kong: O Novo Império” é afetado por um roteiro fraco. O texto de Terry Rossio, Simon Barrett e Jeremy Slater usa seus personagens humanos apenas para proferir falas expositivas a todo momento e explicar coisas que poderiam ser colocadas na história de maneiras mais interessantes. Rebecca Hall e Tyree Henry são os mais prejudicados com isso. Praticamente todas as falas deles servem a esse propósito. Já Dan Stevens, apesar do carisma, não tem muito o que fazer.

Um exemplo que vai no sentido contrário, felizmente, é Jia, que tem um arco interessante envolvendo a sua origem e que é importante para a trama, mesmo não sendo aprofundado como deveria. Além disso, a relação dela com os kaiju se expande para além do Kong - o que rende cenas bonitas. É inegável que a personagem se tornou umas das mais relevantes para a franquia - mas não é algo jogado, esse protagonismo da jovem tem sido ensaiado desde o quarto filme, só houve a consolidação.

“Godzilla e Kong: O Novo Império” apresenta o Skar King como vilão. Em uma entrevista para a TotalFilm, o diretor Adam Wingard chegou a afirmar que o titã representa “uma versão aumentada das piores partes da humanidade” e uma ameaça como jamais vista antes no MonsterVerse. O "macacão vermelho" realmente tem uma imponência e a sua primeira aparição no filme é intimidadora. A motivação dele, no entanto, é uma das mais clichês possíveis.

Mas, como supracitado, o foco do novo capítulo do MonsterVerse é mesmo a ação selvagem dos kaiju. E isso o diretor Adam Wingard - que também comandou o longa que colocou os monstros que dão nome ao filme frente a frente pela primeira vez - entrega e eleva a escala das lutas a outro nível. Um dos pontos altos é que pela primeira vez na franquia, o Kong enfrenta outros da sua espécie (o trailer mostra isso) em um embate à la “Planeta dos Macacos”, de Matt Reeves. Os golpes têm impacto e o senso de perigo se faz presente durante toda a sequência.

Kong enfrenta outros da sua espécie em “Godzilla e Kong: O Novo Império”
Kong enfrenta outros da sua espécie em “Godzilla e Kong: O Novo Império” | Foto: Divulgação

É na batalha final, contudo, que tudo é exponenciado com a tela sendo preenchida com os titãs se enfrentando de maneiras nunca vistas antes. A colaboração entre Kong e o Godzilla rende um dos momentos memoráveis do longa - o qual fica ainda mais marcante com o bom uso da câmera lenta. Além disso, as cenas são bem iluminadas e coloridas, o que deixa cada detalhe dos movimentos mais visível - nada de luta na neblina ou durante a noite, como se vinha temendo na web.

“Godzilla e Kong: O Novo Império” repete alguns erros de outros filmes da franquia. O núcleo humano é fraco, com personagens descartáveis, os diálogos são expositivos e o roteiro tem problemas. Também não há uma trilha sonora memorável. Mas o filme consegue fazer bem aquilo que é o seu principal chamariz: a porradaria entre os monstros. Em suma, é um bom entretenimento para quem busca sentar na cadeira do cinema e ver criaturas gigantes se digladiando.

Assista ao trailer:

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Compartilhar no Whatsapp Clique aqui

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no X Compartilhar no Email

Tags

cineinsite Crítica Godzilla e Kong: O Novo Império

Relacionadas

Mais lidas