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Rogério Ceni e a resistência em apostar na base do Bahia: por quê?

O jornalista Rafael Tiago analisa a resistência de Rogério Ceni em testar promessas da base mesmo em cenários ideais, como contra o Juventude

Rafael Tiago
Por Rafael Tiago
| Atualizada em
Rogério Ceni não tem dado oportunidade para a base
Rogério Ceni não tem dado oportunidade para a base - Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia

A nação tricolor começa a se questionar: por que Rogério Ceni não confia nos garotos da base? A dúvida ecoa ainda mais forte após o jogo contra o Juventude, na Arena Fonte Nova, no último domingo, 27, pela Série A do Campeonato Brasileiro. Com o placar de 2 a 0 a favor do Bahia e o adversário com um jogador a menos desde os 30 minutos do segundo tempo, o cenário parecia perfeito para testar os talentos do clube — mas Rogério Ceni seguiu um roteiro conhecido e optou, mais uma vez, pelos medalhões.

No banco, o Tricolor tinha Dell, o Haaland do Sertão, maior artilheiro da história recente das categorias de base do Bahia e presença frequente nas convocações da Seleção Brasileira Sub-17. Com uma multa rescisória de R$ 600 milhões, o centroavante é tratado como joia por torcedores e diretoria. Mas, até agora, não recebeu sequer uma chance no time principal com Ceni, nem mesmo com o time reserva.

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E não era só Dell. Havia também Vitinho, meia habilidoso com passagens pela base da Seleção; o volante Jota, considerado promissor dentro do clube; e o lateral-esquerdo Zé Guilherme, destaque da última Copa do Brasil Sub-20. Todos permaneceram no banco. Ceni tinha três substituições ainda por fazer, mas escolheu colocar Rodrigo Nestor, que vive fase técnica abaixo do esperado, além de Michel Araújo e Kayky, atletas com mais rodagem.

Imagem ilustrativa da imagem Rogério Ceni e a resistência em apostar na base do Bahia: por quê?
Foto: Rafael Rodrigues/EC Bahia

As oportunidades que nunca vêm

A crítica da torcida é direta: quando, afinal, os garotos vão ter chance de jogar com o time principal, já que nem com um cenário positivo em campo, como foi contra o Juventude parece ser o momento ideal para Ceni testar? Até agora, os jovens só aturam quando o Bahia mandou a campo formações alternativas, seja em jogos de menor expressão ou quando os titulares foram poupados. Com a temporada em curso e o clube buscando estabilidade no Brasileirão, Ceni tem ignorado diversas oportunidades de dar rodagem à nova geração.

A sensação entre os torcedores é de que Rogério Ceni tem receio de lançar os jovens, mesmo com a estrutura que o clube oferece e o potencial evidente das promessas. E a pergunta que fica no ar é inevitável: é medo de queimar os garotos ou o treinador não enxerga potencial na base do Bahia?

Vitória encaminhada, time em casa, torcida apoiando, e um adversário com um a menos. Se nem ali os garotos têm vez, quando terão?

O que mais incomoda não é a ausência eventual dos garotos, mas a ausência sistemática, mesmo em contextos seguros e favoráveis, como o do jogo contra o Juventude. Vitória encaminhada, time em casa, torcida apoiando, e um adversário com um a menos. Se nem ali os garotos têm vez, quando terão?

Vale lembrar que o Bahia passou a investir pesado nas divisões de base e se modernizou desde a chegada do Grupo City.

Uma oportunidade desperdiçada... de novo

Ceni pode até alegar que busca consistência, mas é impossível desenvolver uma nova geração sem dar minutos, sem apostar, sem correr riscos calculados. A base do Bahia pede passagem — e o treinador parece fechar a porta, mesmo com a chave na mão.

A torcida já entendeu. A diretoria observa. E os garotos esperam. Mas até quando?

Enquanto isso Rogério Ceni vai na contra-mão dos grandes clubes do Brasil, como Flamengo, Palmeiras e São Paulo, que todos os anos revelam talentos e apostam neles, a garotada do Bahia ainda espera para mostrar o seu talento. Mas até quando?

Vale lembrar que na fila ainda tem o atacante fora de série Ruan Pablo, o elegante zagueiro Fred Lipert, o volante Sidney, o meia Roger Gabriel e o atacante Tiago.

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