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O mundo como possibilidade: o Centenário de Milton Santos

Milton Santos, nascido na Bahia, deixou um legado essencial à luta por justiça social

Felipe Freitas*
Por Felipe Freitas*

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Secretário de Justiça e Desenvolvimento Humano da Bahia, Felipe Freitas
Secretário de Justiça e Desenvolvimento Humano da Bahia, Felipe Freitas - Foto: Cleomário Alves | Ascom-SJDH

Neste 3 de maio, o Brasil celebra o centenário de nascimento de um dos seus maiores intelectuais: Milton Santos.

Natural de Brotas de Macaúbas, Milton não apenas revolucionou a Geografia; ele refundou a nossa compreensão sobre território, cidades e desenvolvimento, consolidando-se como uma voz incontornável sobre o papel do intelectual na arena pública e a urgência de um pensamento emancipatório.

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Infelizmente, a perversidade do racismo e o persistente descaso do país com seus grandes pensadores ainda criam barreiras para que o nosso povo acesse a grandiosidade de sua obra.

Milton Santos é uma chave fundamental para entender as crises da nossa era e trilhar outros caminhos em favor de um mundo justo e igualitário.

Foi de Milton Santos a formulação pioneira sobre os efeitos nocivos da globalização neoliberal. Ele nos alertou para a necessidade de fortalecer um pensamento contra-hegemônico partindo do "Terceiro Mundo", propondo o exercício pleno da cidadania e a luta política como ferramentas de defesa da justiça e da liberdade.

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Milton foi, sem dúvida, o pensador brasileiro que mais radicalizou a crítica intelectual, inspirando gerações de pesquisadores e ocupando o topo da lista dos autores latino-americanos mais citados em todo o mundo.

Ao denunciar a "globalização como perversidade", marcada pela exclusão e pelas desigualdades que desumanizam as relações econômicas, Milton antecipou em muitas décadas desdobramentos da trajetória do capitalismo que só anos depois foram revelados ao conjunto da população.

Todavia, o mestre Milton Santos não se deixou jamais abater pelo pessimismo paralisante e fatalista. Pelo contrário, ele nos ofereceu o horizonte da reflexão sobre o "mundo como possibilidade".

Para ele, uma outra globalização sempre foi possível, desde que alicerçada na solidariedade e em novas relações de justiça social.

Em tempos de desalento, nos quais o debate público carece de fortuna crítica e sentido profundo, resgatar a força e a originalidade de Milton Santos é um exercício de esperança e uma inspiração necessária para o país.

Nascido no interior da Bahia, Milton provou a força transformadora do estudo e da pesquisa. Ele permanece imortalizado como um dos intelectuais mais refinados do mundo, orgulhando e guiando todos aqueles que acreditam na força das ideias para a construção de um futuro melhor. Salve, Milton Santos!

*Felipe da Silva Freitas é secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado da Bahia e doutor em Direito, Estado e Constituição pela Universidade de Brasília

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