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PEC da Blindagem e a tese de que políticos são intocáveis no Brasil

Artigo de Cássio Moreira analisa Proposta aprovada pela Câmara dos Deputados

Cássio Moreira
Por
Congresso Nacional tenta ficar acima de qualquer lei
Congresso Nacional tenta ficar acima de qualquer lei - Foto: Divulgação

Políticos brasileiros, quase sempre, acreditam que são intocáveis. A aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que cria uma série de mecanismos de blindagem para parlamentares, na última terça-feira, 16, reforça a tese de que um mandato lhe coloca em uma categoria quase divina, acima do bem e do mal.

Se não é essa a intenção, é o que chega aos olhos da população, que transita entre o desgosto com a política e o interesse crescente no debate nos últimos anos, alimentado pela tão citada polarização. A ideia é única: cometer qualquer atrocidade com o escudo da impunidade, bem vestida, claro, de imunidade. O texto abre brechas graves, o que pode impulsionar a radicalização que tem sido vista dentro do Congresso Nacional.

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Quando um deputado ou senador usa tal medida para acalorar o debate fora do que é proposto no universo político, a democracia já pode se considerar internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Liberdade de expressão não pode se misturar com anarquia. Se assim for, de nada adianta a existência de instituições.

Políticos, dirigentes partidários e autoridades também não devem estar debaixo do guarda-chuva da imoralidade, livres para cometer quase todo tipo de crime sem que nada seja feito. É isso que o texto, de maneira rebuscada, bem elaborada, sugere.

Como exemplo, o deputado popstar Nikolas Ferreira (PL-MG), conhecido por volta e meia soltar falas polêmicas e tensionar o debate político, uma ferramenta que dá certo para seu nicho de eleitores e simpatizantes, foi direto ao defender a PEC, que teve o seu voto, e disparar a seguinte frase: "Queremos ser blindados mesmo".

Também conhecido por colecionar polêmicas, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) foi além, e se colocou na condição de vítima perseguida pelo Judiciário, narrativa quase sempre alimentada por aqueles que tentam a todo custo romper as linhas da democracia.

"Queremos representar nossos eleitores sem que a Polícia Federal bata na nossa porta", disse o deputado sem qualquer pudor.

Para que não seja cometido aqui qualquer ato de injustiça, não foi apenas a direita mais fervorosa que votou pela aprovação do texto. Tem voto da direita moderada, da centro-direita, do centro, da centro-esquerda e da esquerda. Todos os campos unidos com um único objetivo: descredibilizar a Justiça e se colocar acima de tudo e todos.

A PEC, da maneira em que foi apresentada e aprovada pelos deputados deixa um recado escancarado. Os políticos do Brasil não querem, de jeito maneira, as consequências dos seus atos e crimes. Mais que isso, a PEC cria uma casta política desconhecida em qualquer democracia.

Se o Supremo precisará de autorização da Câmara para discutir o destino de quem cometer um ato criminoso, ele deixa de ser 'supremo'. Se caberá ao Congresso Nacional autorizar qualquer movimentação da Corte no que se refere a abertura de processos criminais contra deputados e senadores, "alguma coisa está fora da ordem", como canta Caetano Veloso.

Caberá ao ainda sóbrio Senado barrar o que não deveria sequer ter sido pautado em um momento tão frágil da política brasileira. Os senadores precisam lembrar daquele bom e velho livro que muito diz sobre o Brasil. O nome dele? Constituição Federal.

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congresso pec da blindagem STF supremo

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