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Tarcísio de Freitas e o tiro no pé

Confira o artigo escrito por Cássio Moreira*

Cassio Moreira
Por Cassio Moreira
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

A crise política iniciada na última semana com o tão falado 'tarifaço' de Trump ao Brasil, incentivado pelo clã Bolsonaro, colocou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), diante do seu maior dilema desde a sua eleição: ser fiel ao voto de confiança dado pelos paulistas ou abaixar a cabeça e atuar como um soldado de baixo patente para não contrariar Jair Bolsonaro (PL), a quem ele achar dever tudo? Nesse dilema, o gestor enfrentou seu pior momento até aqui.

Tarcísio não só saiu em defesa de Trump e Bolsonaro, como chegou a atuar para que o ex-presidente brasileiro fosse aos Estados Unidos, mesmo tendo seu passaporte retido, para 'negociar' com a Casa Branca, o que obviamente foi negado pelo STF.

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A verdade é que Tarcísio, visto até aqui como o candidato ideal da direita conservadora para bater de frente com Lula (PT) nas urnas em 2026, preferiu se apequenar para atender aos caprichos do seu padrinho político. Fidelidade é importante, mas o eleitor não engole subserviência.

Para quem comanda a maior economia do país, faltou pulso, autonomia e timing político. O desgaste desnecessário seria evitado se o governador simplesmente ignorasse a questão ideológica e tentasse, de fato, ajudar nas negociações de maneira independente.

Tarcísio pode e deve ser grato a Jair Bolsonaro pela projeção que ganhou dentro de seu governo, que impulsionou sua eleição no estado de São Paulo. Ser grato e fiel, entretanto, não significa abrir mão da sua própria imagem e reputação para atender aos devaneios de alguém que insiste se colocar numa disputa política da qual não deve fazer parte, uma vez que está inelegível e sob risco de prisão.

Se Tarcísio pretende ser candidato a presidente em 2026, ou se reeleger para o governo de São Paulo e se estabelecer como uma liderança política, precisará ter postura e passar a se comportar como um líder, sem obedecer a Bolsonaro, nem se fazer refém de um aliado e colocar sua reputação em jogo.

A história é implacável com aqueles que escolhem a subserviência ao invés da liderança.

Cássio Moreira é repórter de política do Grupo A TARDE.

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Casa Branca Jair Bolsonaro Tarcísio de Freitas trump

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