Após escândalo de corrupção, empreiteiro pede indenização

Empresário teria provocado prejuízo aos cofres públicos no valor deR$ 350 milhões

Publicado domingo, 20 de março de 2022 às 13:51 h | Atualizado em 20/03/2022, 13:51 | Autor: Da Redação
Zuleido Veras chegou a ser condenado a 26 anos de prisão e voltou a figurar em Brasília
Zuleido Veras chegou a ser condenado a 26 anos de prisão e voltou a figurar em Brasília -

Quando o ex-presidente Lula ainda cumpria o segundo mandato, em 2007, como presidente da República, o presidente do Congresso era o senador Renan Calheiros. As fortes empreiteiras já vinham fazendo o que a Lava-Jato iria descobrir tempos depois.

Uma operação da Polícia Federal aquele ano provocou um tremor polític, já que a Justiça decretou a prisão de 47 pessoas. Na lista estavam governadores, ex-­governadores, deputados, prefeitos, um ministro e funcionários públicos de alto escalão, todos investigados.

O engenheiro Zuleido Veras, pivô do escâncadalo, era um desconhecido do grande público. Dono da construtora baiana Gautama, foi acusado de corrupção e fraudes em obras públicas. Entre subornos e superfaturamentos, teria provocado um prejuízo aos cofres públicos estimado em 350 milhões de reais.

Zuleido respondeu a quarenta processos. Há pouco tempo, o último deles foi arquivado. Agora livre de condenações, quer ser ressarcido pelo que perdeu e pelo que alega ter deixado de ganhar.

Em uma reviravolta judicial, quase quinze anos após a operação, uma sucessão de decisões da Justiça anulou as provas do caso e levou o empreiteiro a ingressar com uma ação pelo suposto erro judiciário. Em rankink de valores, é o maior processo do tipo na história. Zuleido solicita, só de dano moral, uma indenização de 50 milhões de reais. 

De acordo com cálculos dos advogados, quando incluídos os prejuízos da empresa, as cifras podem ultrapassar os 10 bilhões de reais.

Zuleido se diz vítima de perseguição de juízes, procuradores e delegados. Os casos também foram arquivados por erros processuais, sendo que o maior deles é a existência de interceptações telefônicas sem o devido amparo legal.

O empreiteiro chegou acusar a então ministra Eliana Calmon, responsável pelo caso, de utilizar a Operação Navalha como trampolim político. Ao se aposentar no fim de 2013, quando ainda conduzia o processo no STJ, Calmon foi candidata ao Senado pela Bahia, estado-sede da empreiteira investigada, mas obteve sucesso. Hoje na iniciativa privada, a ex-juíza reagiu com incredulidade ao ser informada sobre o conteúdo da ação que o empresário move contra o Estado brasileiro.

Zuleido Veras chegou a ser condenado a 26 anos de prisão e voltou a figurar em Brasília, onde articula atualmente a derrubada de decisões que impedem ele e as empresas de celebrarem contratos com o governo.

O empreiteiro, que mora em Salvador, não frequenta mais os hotéis luxuosos, onde no auge da prosperidade se reunia na surdina com políticos e empresários, e evita aparições públicas. Zuleido diz nos bastidores que não quer mais passar pelo constrangimento de ser xingado de corrupto e diz que está apenas “sobrevivendo”, enquanto aguarda discretamente a “reparação oficial", inédita e bilionária indenização que pode acabar atingindo o bolso dos brasileiros.

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