SALVADOR
Padre Pinto não se converteu, diz o povo de candomblé

Reunidos nessa sexta-feira em entrevista coletiva para explicar a "conversão" do Padre José Pinto ao candomblé, representantes da Igreja Católica e de entidades de defesa da cultura afro-brasileira negaram que o padre tenha sido iniciado na tradição dos orixás e esclareceram que ele se submeteu a um mero processo de purificação, disponível a qualquer pessoa que procure um terreiro, informa a repórter de A Tarde Carla Bittencourt.
Preocupados com a repercussão do caso, os religiosos e intelectuais pediram à imprensa cuidado ao tratar o candomblé por ser essa religião tão freqüentemente caluniada por sacerdotes de outras crenças. Estiveram presentes à entrevista o Padre Fideli Katsan, da Pastoral Afro, o antropólogo e iniciado no candomblé Vilson Caetano, a representante da Fundação Cultural Palmares Lindinalva Barbosa, o presidente da Associação de Cultura Afro-ameríndia Leonel Monteiro e o presidente da Associação Cultural da Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), Raimundo Konmannanjy.
A Mãe Guerreiro, do terreiro Ilê Axé Omi-Nidê, esclareceu que o ritual pelo qual passou o padre não equivale à iniciação. Tratou-se, segundo ela, de uma purificação para "limpar" o espírito do padre. Para ser iniciado no candomblé, o candidato precisa preencher uma lista de condições, entre as quais manter resguardo sexual por 40 dias.
Segundo Mãe Guerreiro, Padre Pinto deixou hoje o terreiro como chegou - por livre e espontânea vontade. Quanto à foto em que o padre aparece tendo sua cabeça raspada, alegadamente para dar início a sua conversão, Mãe Guerreio diz que foi o próprio José Pinto quem chamou um barbeiro ao terreiro.