Busca interna do iBahia
HOME > bahia > SALVADOR

SALVADOR

Pai Herói: um pai solteiro e dois meninos que são uns xodós

Içara Bahia, do A TARDE
Por Içara Bahia, do A TARDE

“Eu tenho um pai inteligentão”. Sem disfarçar o carinho que sente por Luiz Farias Soares, Mateus, aos 10 anos, conhece bem o homem que escolheu para ser seu pai. “Eu sabia que era ele. Conheço pelos passos”, afirma, ao confirmar a chegada de Luiz, depois de ele adentrar a sala da casa onde moram.

Ao lado de Mateus, Lucas, de 11 anos, permanece tímido, mas atento a tudo o que acontece ao redor. Sobre o pai, não pensa duas vezes antes de dizer: “Ele é bonito. É bom e sempre cuida da gente”. E Luiz se desmancha.

Tudo sobre Salvador em primeira mão! Compartilhar no Whatsapp Entre no canal do WhatsApp.

Com os filhos, ele deixa de lado a identidade de médico, clínico geral, pneumologista, gerente médico do Hospital Jorge Valente e professor da Escola Bahiana de Medicina, e adquire poderes de um verdadeiro superpai adotivo.

Solteiro, 47 anos, Luiz Soares nunca se casou. Se fosse casado, ele garante, não teria filhos biológicos. “Essa é uma decisão tomada desde cedo. Não queria trazer ninguém para este mundo”, justifica. Apesar da falta de vontade de ter herdeiros biológicos, ele nunca descartou a ideia de ter filhos. Queria retribuir a alguém o carinho que recebera do próprio pai. “Ele era um paizão”, recorda.

Adoção - Ao tomar conhecimento de uma campanha de incentivo à adoção por pessoas solteiras, promovida pelo Juizado da Infância e Juventude de Salvador, não pensou duas vezes e decidiu se inscrever. O ano era 1997 e ele fez o cadastro por telefone mesmo. Era a chance que tinha de poder ofertar carinho para alguma criança, a quem pudesse chamar de “meu filho”.

Os dias se passavam e o médico não recebia retorno algum. Dois anos depois, um sonho anunciava novidades. “Alguém chegava e me entregava um filho. Eu me via de mãos dadas com aquela criança. Era Lucas, era meu filho”, lembra ele. Naquele dia, Soares acordou apavorado. Não tirava da cabeça a possibilidade de ser aquele um prenúncio de paternidade.

O ano era 2000. Naquele mesmo dia, procurou o Juizado. Sabia que o dia de ser pai estava perto: “Não sou religioso mas sou intuitivo. O motivo eu não sei, mas acredito que nada é por acaso”.

Busca - Começava, então, a busca pelo garoto do sonho. Depois de dar entrada na documentação necessária à adoção, junto ao Juizado, Luiz Soares foi liberado para visitar algumas crianças. Olhava diversas delas e não encontrava ninguém que pudesse emocioná-lo como o menino sonhado. Lucas não lembra do dia em que o Luiz o encontrou pela primeira vez. O pai não esquece dos detalhes.

Numa das visitas, percebeu que uma criança chorava muito. O bebê tinha dez meses e estava no berço. Como se quisesse chamar a atenção do visitante,  tirou a chupeta da boca e arremessou na cabeça do candidato a pai.

Ao voltar a atenção para o bebê, dessa vez, com mais cuidado, percebeu que os olhinhos eram muito parecido com os dele.  O menino abriu um sorriso e estendeu os braços para ser carregado. Soares foi avisado de que aquele garoto não gostava de contato com outras pessoas. Desconsiderou o aviso, pegou o garoto e, naquele momento, teve a certeza de que carregava o próprio filho.

Passados três meses após o dia do primeiro contato, Lucas foi morar com aquele que se tornaria seu pai. “Na primeira noite teve febre. Eu tive febre também. Fiquei desesperado. Queria levar para o hospital. Depois eu lembrei que eu mesmo era o médico e podia solucionar”, conta ele, aos risos.

Aos poucos, o pai adequou a rotina de vida àquele novo integrante da casa. Com a ajuda de uma babá durante o dia, ele não media esforços para cuidar de Lucas. Dois anos depois, decidiu que queria adotar uma outra criança. Queria um menino maior. Era a vez de Jorge, de 17 anos, que tinha 9 anos quando ganhou Soares como pai. E não parou por aí. Depois de Lucas e Jorge, veio Mateus. “É o que é mais apegado e o que parece menos comigo”.

E o chamego é mesmo grande. “Quero ver meu pai de super-homem”, diz Mateus, com o boneco do super-herói preferido nas mãos. Luiz Soares é um pai realizado. “Acho que a minha vida mudou muito com eles. É uma coisa impressionante. É um tipo de amor que você não pensa em sentir por ninguém. Você percebe o mundo em torno do ser, você começa a ver o lado positivo do mundo”, afirma. Ele é a prova de que o amor paterno independe dos laços sanguíneos.

Para informações sobre adoção: Juizado de Menores de Salvador: Tel: (71) 3203-9300.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Google Noticias Siga o A TARDE no Google Noticias

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Facebook Compartilhar no Email

Relacionadas

Mais lidas