SALVADOR
Painel antigo mostra chegada de Thomé de Souza à Bahia

Pintura pode ser vista no Salão Nobre da Câmara, reinaugurado ontem
GILSON JORGE
Às vésperas do aniversário de Salvador, a Câmara Municipal deu, ontem, o seu presente à cidade. O Salão Nobre do prédio foi reinaugurado, após quatro meses de reforma, e trouxe ao público uma novidade: um painel pintado no início do século passado, ilustrando a chegada de Thomé de Souza, além de um brasão contendo uma pomba e um galho de ramos, similar ao símbolo oficial do município, mas em verde e branco.
Durante décadas, a pintura em estilo eclético, que traz ainda elementos da mitologia grega, esteve escondida sob seis camadas de pintura, sendo descoberta depois do atual trabalho de reforma. A equipe de 15 técnicos e auxiliares começou a atuar em dezembro do ano passado. Desde 1998, já havia a noção de que existia alguma coisa importante sob a pintura da sala.
Sabíamos da existência de anjos no painel, por conta dos dados que tínhamos, mas o resto foi uma surpresa, declarou a restauradora Emília Barretto, responsável pela empreitada.
Segundo o presidente da Câmara, Valdenor Cardoso (PTC), a instituição optou por não contratar os serviços do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) porque sairia mais caro e a reforma demoraria mais, em razão da quantidade de trabalho que o Ipac tem. O prédio da Câmara Municipal é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O salão, que no passado abrigou o gabinete do prefeito, estava sendo utilizado até o início da reforma como local para cerimônias oficiais e reuniões entre os vereadores. Ali ficava uma galeria de fotos de ex-presidentes da casa, que, com a descoberta do painel, foi transferida para o Memorial da Câmara, no andar térreo.
POMBA Um detalhe que chamou a atenção dos restauradores e dos vereadores foi a figura do galho de ramos com a pomba branca, sobre o fundo verde do brasão. A representação oficial da cidade traz a pomba e o galho em azul sobre um fundo branco. A diferença na coloração motivou o presidente da Câmara, Valdenor Cardoso (PTC), a ponderar sobre a possibilidade de uma mudança no símbolo oficial da cidade.
Vamos fazer uma pesquisa, juntamente com o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e, a partir daí, fazer uma consulta à população para propor uma eventual mudança, disse Cardoso. O presidente da Câmara não soube precisar o quanto a casa gastou na reforma, mas disse que foi pouco mais de R$ 200 mil.
A presidente do IGHB, Consuelo Pondé, assinalou que o prédio da Câmara Municipal do Salvador é o único no mundo com essas características.
Durante a rápida cerimônia de reabertura do salão, o presidente da Câmara defendeu a iniciativa de fazer a obra. Tem gente que critica o uso do dinheiro público com reformas. Eu digo que não fazer isso teria sido irresponsabilidade, declarou.
A Câmara cobre todos os seus gastos, inclusive de pessoal, com a verba de 6% do orçamento do município, conforme determina a Constituição Federal. Ou seja, se a Cidade do Salvador arrecadar R$ 1 bilhão em um ano, R$ 60 milhões são repassados à Câmara. O que não for gasto até o final do ano deve ser devolvido aos cofres da prefeitura.