SALVADOR
Pais exigem merenda saudável nas escolas

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Refrigerantes, salgadinhos, batatas fritas, frituras, doces e chocolates. Essas saborosas e atraentes guloseimas estão presentes na maioria das cantinas das escolas de Salvador. E são a preferência entre crianças e adolescentes na hora do lanche. Essa alimentação calórica ajuda a reforçar a taxa de obesidade infantil, que chega a 10% das crianças brasileiras, de acordo com dados da Sociedade de Pediatria de São Paulo, publicados na internet. Na esteira do excesso de peso vem o crescimento de doenças como diabetes, problemas cardiovasculares e aumento dos níveis de colesterol e triglicérides.
O medo de que seus filhos tenham uma infância pouco saudável faz com que os pais comecem a estabelecer entre os critérios de escolha da escola os itens oferecidos na hora do recreio. Segundo a nutricionista e professora da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Ana Karina Braga, a maioria das escolas ainda mantém um cardápio inapropriado ou, então, em paralelo, disponibiliza saladas de frutas, sanduíches naturais, sucos e frutas, porém expostos de forma bem mais reservada. Mas, afirma Braga, por força da pressão dos pais, é crescente o número de colégios que estão adotando uma alimentação balanceada em suas cantinas.
E fazer com que as crianças optem por frutas e verduras em vez de lanches menos saudáveis não é nenhum bicho-de-sete-cabeças. O principal segredo, ensina a nutricionista, é que desde cedo as crianças tenham esses produtos nas suas refeições. Refrigerantes, doces e frituras devem ficar distante de seus pratos. “Sempre é possível mudar os hábitos, em qualquer idade. Mas o recomendado é que seja desde cedo, porque assim a criança adapta seu paladar e ela própria vai buscar um lanche mais saudável”, garante Braga.
Prova disso é a pequena Louise, de 3 anos e meio. Sua mãe, a administradora de empresas Rejane Esteves, 32 anos, conta que, na Páscoa do ano passado, comprou um ovo de chocolate e, ao abri-lo, ouviu da filha: “Mãe, me dá uma pêra?”. “Ela adora fruta e não faz questão de chocolate”, comemora Rejane.
Essa preferência vem da educação recebida em casa e reforçada pela escola. Aos 4 meses, Louise foi para a Creche Escola Dia Zepelim, na Pituba, onde o cardápio é diferenciado e voltado para uma proposta de alimentação saudável e balanceada, rica em frutas e verduras.
Regras - A psicopedagoga Daniela Silvany, proprietária da escola, conta que, mesmo em aniversários, o cardápio segue regras. É permitido apenas bolo, pãozinho, pipoca e, no máximo, dois tipos de doces, como brigadeiro e beijinho. Refrigerantes e frituras são terminantemente proibidos. Para beber, muito suco de frutas.
Chicletes, pirulitos, frituras e condimentos são produtos fora da lista. Até mesmo para as crianças que freqüentam a creche durante as férias. Porém, ressalta Silvany, elas recebem uns mimos. Afinal, férias são férias. Para dar um gostinho especial ao cardápio, são inseridas gelatinas, sorvetes de frutas e bolo de chocolate.
“O cardápio é enviado para os pais e sugerimos que acompanhem durante os finais de semana. Para aquelas que trazem o lanche ou almoço de casa é preciso seguir o padrão da escola”, observa a psicopedagoga. E as regras são rígidas. Se não forem obedecidas, a lancheira volta cheia para casa. “Como a criança não pode ficar com fome, damos a ela o alimento feito para as demais”, explica Silvany. Crianças com problemas de saúde, como colesterol alto, anemia ou diabetes, por exemplo, recebem um tratamento diferenciado na hora das refeições.
O mais difícil, no entanto, é fazer com que os pais sigam nos finais de semana o padrão estabelecido pela escola. “É muito comum casos de infecção urinária e diarréias às segundas-feiras”, atesta Silvany.
Para as crianças que não são acostumadas a uma alimentação saudável desde muito pequenas, a adaptação requer um pouco de paciência, como conta a nutricionista Ana Karina Braga, que é responsável pelo cardápio da Escola Dia Zepelim e também atende no Centro de Estudos e Atendimento Dietoterápico da Universidade Estadual da Bahia (Uneb). O centro é um consultório de nutrição que atende gratuitamente pessoas de todas as idades com problemas de obesidade, complicações renais, diabetes, hipertensão, gestantes ou que busquem a reeducação alimentar.
A nutricionista conta o caso de um garoto que foi matriculado na escola aos 6 anos e se recusava a aceitar a alimentação. Sua mãe, então, trazia uma vasilha de casa e, escondido, era colocada a comida feita na cozinha da escola. “Só assim ele comia e ainda dizia que estava gostoso”, relata Braga.