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Palácio da Aclamação é aberto ao público

Mary Weinstein, do A TARDE
Por Mary Weinstein, do A TARDE

O prédio do Palácio da Aclamação, construído no início do século passado, foi restaurado na década de 90 e passou a ser museu e “casa de cerimonial”, reservado para festas. Mesmo assim, quem passava pela Avenida Sete via suas portas de ferro e janelas de madeira e vidro sempre fechadas.

Esse tempo acabou. O palácio, que completa 90 anos com uma série de eventos, desta quinta-feira a sábado, já está recebendo uma média de 600 visitantes por mês. “As pessoas vão se identificar, conhecer um espaço imponente”, diz a diretora de museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), Ana Liberato. Ela acha fundamental dar acesso para que o público conheça a edificação, que representa uma época.

Estudantes de escolas e interessados em geral ficam impressionados com o luxo e o esmero do mobiliário em estilo Dom José e Luiz XV, do piso tabuado, das pinturas de parede feitas pelo artista Prisciliano Silva – painéis emoldurados, guirlandas, laços e medalhões –, com as varandas espaçosas com vista para a Baía de Todos os Santos e Passeio Público, e até com a altura das paredes. Rodrigo Marques Silva, 14 anos, morador do Chame-Chame, ficou encantado com a imensidão do lugar. “Devia ser muito bom morar aqui”, disse ele.

Embora comprado em 1911, o palácio passou a ser casa de governadores depois que um bombardeio atingiu o Palácio do Rio Branco, que era a residência oficial. Então, o governador J.J. Seabra se transferiu para lá e tratou de dar início a uma reforma que só foi concluída no governo de Moniz de Aragão, em 1917. Daí as comemorações pelos 90 anos, que começam hoje.

HISTÓRICO

“O Palacete dos Moraes”, na Praça da Aclamação, pertencia a Miguel Francisco Moraes, um comerciante bem-sucedido. Quando ele morreu, em 1895, o palacete passou para a viúva dele, Clara César de Moraes, que permaneceu ali até 1911. Nesse ano, dona Clara vendeu o imóvel ao Estado por trinta contos de réis. A residência oficial dos governadores era, desde 1908, o Palácio Rio Branco, que atualmente é ocupado pelas fundações Cultural e Pedro Calmon.

O Palácio da Aclamação é resultado de uma conjuntura política. Era o final do governo de João Ferreira de Araújo Pinho, que, pressionado, renuncia, alegando “condições de saúde”, cinco meses antes de completar o seu mandato. Havia uma acirrada disputa pelo governo. Foi quando houve o bombardeio, em 10 de janeiro de 1912. Os tiros atingiram o Palácio Rio Branco, e com isso as repartições foram transferidas para o Palácio da Aclamação, tempos depois elevado à condição de residência dos governadores.

Para a ampliação da casa dos Moraes, Seabra utilizou uma parte do Passeio Público. Na época, isso foi considerado uma usurpação. O primeiro mandato de Seabra terminou em 1916, sem que as obras do palácio tivessem acabado. Antônio Ferrão Moniz de Aragão promoveu a continuação em sua administração, por isso a residência oficial foi transferida para o “Palácio da Piedade”, hoje sede da Secretaria da Segurança Pública da Bahia. Em 3 de novembro de 1917, Moniz de Aragão retorna ao Palácio da Aclamação. Seabra também retornaria, no seu segundo mandato como governador.

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