SALVADOR
Para APLB, escolas municipais de Salvador são referência

Embora ignorado pelo Estado nos últimos quatro anos, o ensino da história e cultura afro começou a entrar na pauta de escolas públicas na Bahia em 2005, ano em que a Prefeitura de Salvador introduziu as novidades na rede municipal de ensino.
Crítico da ingerência com que o poder público tem lidado com a questão no Estado, o coordenador da APLB (Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia), Rui Oliveira, não economiza elogios ao modelo adotado pela Secretaria Municipal de Educação.
A experiência da rede municipal de Salvador é positiva. A começar pela forma como foi discutido o projeto, com apoio de entidades do movimento negro e da comunidade, diz. Rui Oliveira só lamenta que a capital seja uma quase-exceção, já que apenas dois outros municípios no Estado Lauro de Freitas e Camaçari implantaram programas para mudar os currículos.
O secretário da Educação de Salvador, Ney Campello, diz que o grande trunfo da rede municipal foi investir na formação continuada de professores e na elaboração de material didático e para-didático. A referência foi o trabalho do Ceao (Centro de Estudos Afro Orientais), da Universidade Federal da Bahia. Mais de mil professores já foram capacitados e passam por avaliações periódicas. Todas as 367 unidades estão orientadas para adotar as mudanças, afirma Campello.
Em escolas com maior preocupação quanto à temática, ele afirma, houve melhora no aproveitamento dos alunos e queda nos índices de evasão. A melhor auto-estima, o orgulho negro e a valorização da identidade se refletem no aprendizado, defende o secretário. Estamos elaborando um estudo sobre isso. Será divulgado em breve, promete.