SALVADOR
Para se manter no mercado, sorveterias diversificam produtos

O baixo consumo de sorvete no Brasil levou pequenas empresas que comercializavam apenas a guloseima a incrementar a oferta de produtos para conseguir estabilidade. A tradicional sorveteria A Cubana, enfrentou esse processo a partir de 1996, com a introdução de salgados, sucos e tortas no menu.
“Procuramos nos renovar para nos adequar ao mercado. O natural agora é expandir o leque de produtos, mas sem descaracterizar o estabelecimento”, destaca o sócio da sorveteria, Marcos Bouzas. O administrador frisa que o sorvete ainda é o carro chefe das duas lojas A Cubana, localizadas no Pelourinho.
Quem também enfrentou esse processo foi a sorveteria Le Glacier Laporte, instalada há cinco anos no Pelourinho. O dono do estabelecimento, o francês Georges Laporte, especialista em sorvete, percebeu logo no primeiro mês de trabalho que não conseguiria manter o negócio apenas vendendo sorvete. Decidiu, então, vender crepes, café, salgados e sucos. “Passei a vender produtos de lanchonete para sobreviver. Se não fosse assim, já teria fechado a loja. Na França sorveteria é um negócio que dá muito dinheiro. Aqui, a gente sobrevive com um pouco de dificuldade”, lamenta.
O especialista em sorvete acredita que a má distribuição de renda é um fator que dificulta as vendas. “O sorvete é um produto caro, destinado a uma pequena parcela da população. No Brasil a diferença social é muito grande e o poder aquisitivo da maioria da população não é alto”, destaca.
Outra estratégia adotada pelo especialista em sorvete foi a venda por encomendas. O sorvete produzido por ele é vendido para renomados restaurantes de Salvador, como o Amado, na Avenida Contorno, o Buccaneros, no Forte de São Marcelo, e o Tom do Sabor, no Rio Vermelho. “Isso ajuda a me manter e é também uma boa maneira para divulgar meu produto”, conta.
Para manter um diferencial no mercado de sorvetes em Salvador, Laporte não usa produtos químicos na fabricação da iguaria. “O sorvete, para ter boa qualidade, tem que ser feito de forma artesanal. O aumento das vendas e da produção dificulta a qualidade da produção”, destaca o francês. Segundo ele, a etapa mais difícil do processo é a seleção das frutas e a transformação delas em polpa.
Com a mudança para a Bahia, o especialista teve que refazer todas as receitas, por causa da diferença de açúcar, já que na França adoçava os sorvetes com açúcar de beterraba. O menu de Laporte conta com 45 sabores. Diariamente, 36 deles ficam expostos na pequena sorveteria situada no Cruzeiro de São Francisco, no Pelourinho.
A mudança de país também fez com que alterasse a produção. Aqui, a preferência dos clientes é pelos sorvetes de fruta, como açaí, coco, acerola, cajá, cacau, caju, cupuaçu. Como na França não existem essas frutas, ele desenvolveu novas receitas para agradar a clientela. Apesar disso, manteve no seu receituário sabores como o Martinique, de doce de casca de laranja com chocolate.