SALVADOR
Parada Gay reúne 600 mil em Salvador

“Homofobia é Igual a Racismo”. Em obediência a este lema aconteceu ontem em Salvador a sexta edição da Parada Gay, que levou um público de 600 mil pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar, ao circuito oficial de Carnaval do Campo Grande, no Centro de Salvador. O ponto alto do evento foi a abertura de uma faixa de 40 por 10 metros nas cores do arco-íris, em plena Rua Carlos Gomes, lembrando o assassinato do homossexual Joel Lobo, dono do bar Quixabeira, que funcionava nos Barris.
“É uma festa gay para que todos se unam contra todas as formas de preconceito e não só ao racismo”, lembrou o presidente do Grupo Gay da Bahia, Marcelo Cerqueira. No trio, bastante emocionado, ele falou que “a Carlos Gomes não vai morrer. Isto é para você, Joel Lobo”, disse, em lágrimas.
Onze trios percorrendo a avenida impuseram uma certa variedade no cardápio musical, onde ouviu-se, além do pagode e axé batidões, eletro-tribais. Em vez de mulheres em trajes sumários, os go-go boys (dançarinos em trajes sumários). Travestis em maiôs e biquínis enganaram observadores mais afoitos. “Ôxe, vi uma ali fazendo xixi em pé que eu achava que era uma morena”, comentava o auxiliar de pedreiro Joseilto Lima.
A saída dos trios do Campo Grande começou às 15 horas. Madrinha da Parada, a cantora Mariene de Castro, jogando soul e candomblé no ritmo eletrônico. “Hoje é o dia de demonstrar o respeito pela diversidade e que os artistas estão na causa contra o preconceito”, disse. A previsão dos organizadores também é a de que 600 mil pessoas passaram pelo evento.
Muitos momentos engraçados ornaram a festa da diversidade: “Tem gay aí? Tô achando que tem muita bicha enrustida. Sai do armário! Grupos formavam clareiras na avenida para ver travestis em plumas e paetês rebolando ao som de algum buliçoso pagode. Muitas “fantasias do tradicional bloco de travestidos As Muquiranas foram recicladas para o momento.
“O mais importante é lembrar que temos que fazer prevalecer nossos direitos de cidadãos comuns com preferências sexuais que têm que ser aceitas na sociedade”, defendeu o corretor imobiliário César Lucchesi, 39 anos, que aproveitou e foi com o namorado, Lúcio Fragoso, 34 anos. Do outro lado, descendo a Avenida Sete, Divina Valéria vai na comissão de frente, no trio elétrico do Gapa, com elegância.
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