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Parceria leva oficina de grafite para as salas de aula

Rai Trindade, do A TARDE On Line
Por Rai Trindade, do A TARDE On Line
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Com o objetivo de combater a prática de vandalismo, sobretudo as pichações do patrimônio físico escolar, foi iniciado nesta segunda-feira, 08, o ciclo de oficinas do Projeto Salvador Grafita nas escolas, realizado pela equipe de oficineiros do projeto e técnicos de arte da Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico (Cenap), da Secretaria Municipal da Educação e Cultura (Smec).

As oficinas, que vão até dezembro, irão atender alunos do 6º ao 9º ano. O ciclo está dividido em etapas e tem como atividades aulas expositivas e debates sobre comportamento, política e patrimônio cultural; aulas práticas de desenho e grafite; participação de projetos parceiros para intercâmbio cultural e montagem de painel. As oficinas, com duração de 3h, serão realizadas em turnos opostos para que não atrapalhem o horário regular de aulas.

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Formada em música, a coordenadora pedagógica do projeto, Cássia Cardoso, diz que a intenção das oficinas é diminuir o vandalismo. "A arte é o caminho para combater o que está aí nos muros das escolas, das ruas sob forma de pichação. É o caminho para a conscientização do patrimônio. Como a maioria dos grafiteiros tem o cotidiano muito próximo ao desses alunos, a idéia é trabalhar a troca de experiências, tornando os estudantes multiplicadores", pontuou.

Cássia ressalta ainda que, em quase cinco anos, esta é a primeira vez que o Salvador Grafita entra na esfera da educação através das escolas e que o trabalho surgiu da necessidade de oferecer aos jovens artistas de rua da cidade a possibilidade de se expressarem, transformando a pichação em arte.

O projeto tem sido elogiado em âmbito internacional e alguns dos artistas, moradores de bairros periféricos em sua maioria, receberam o convite para expor seus trabalhos em outras capitais e até mesmo outros países. A coordenadora disse ainda que o sucesso das atividades já conquistou lugar nas contas do município, estando, inclusive, previsto em orçamento.

História - Com quinze anos de estrada, um dos oficineiros é o grafiteiro Lee 27. Precursor do projeto, o artista lembra que quando começou não havia oficina ou qualquer tipo de orientação. "É importante ter esses trabalhos porque podemos trabalhar a conscientização do estudante no que diz respeito ao espaço dele na escola, na comunidade.", avalia.

Também oficineiro, Cleberson Cordeiro, o Coveiro, atua como grafiteiro há dez anos e acredita na iniciativa como atividade rentável, e não somente no que diz respeito à conscientização do patrimônio público. "É possível ganhar dinheiro com o grafite hoje em dia, como em qualquer atividade. O artista vende sua obra. É um trabalho como qualquer outro.", enfatiza Coveiro.

Vice-diretora da Escola Municipal Alexandre Leal, localizada na Mouraria, centro da cidade, Waldevina Costa Meireles aposta na atividade como melhoria no desempenho dos estudantes dentro e fora das salas de aula. "A gente sempre espera que a atividade artística acalme, conscientize. São adolescentes sem quadra ou qualquer espaço para se expor aqui dentro e acabam pichando seus problemas e aspirações nas dependências da escola.", reconhece Waldevina.

Estudante da oitava série, Jeferson Oliveira Santos, 16, acredita que as oficinas vão ajudar a melhorar seu traço. "Faço grafite há um ano e acho importante essa atividade aqui na escola. É também uma maneira de divulgar nossa arte, diferenciar o que fazemos da pichação", contou o estudante.

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