SALVADOR
Parque ganha mais uma árvore sagrada

Cleidiana Ramos
Considerada uma das áreas sagradas para as religiões de matrizes africanas em Salvador, o Parque São Bartolomeu ganhou, ontem, uma muda de baobá. A árvore é tida como a morada sagrada das divindades de origem africana e tem uma longevidade impressionante: chega a mil anos e alcança a altura de 30 metros.
O plantio foi feito depois de uma cerimônia que contou com a presença de representantes de 46 terreiros e da administração municipal, como o secretário municipal da Reparação, Gilmar Santiago, e o superintendente municipal de meio ambiente, Juliano Matos.
Também foi realizada uma cerimônia em honra de Ossain, divindade que é considerado a o dono das matas e do conhecimento das forças das ervas.
Também ocorreram plantios no Parque da Cidade, Itaigara e na Rótula do Aeroporto. O Dique do Tororó, o campus de Ondina da Ufba e os terreiros Bate Folha, em Mata Escura, Mansu Dandalungua Kokuazenza, Estrada Velha do Aeroporto e Ilê Asé Omin JObá, em São Cristóvão, também receberão baobás.
As mudas foram doadas por Fernando Batista, representante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Cláudia Regina Batista, do Centro de Estudos Afro Orientais da Ufba (Ceao), e John Rashford, da Universidade de Charleston, Carolina do Sul, Estados Unidos da América (EUA).
No Parque São Bartolomeu, o plantio foi realizado com a cerimônia do chamado assentamento, um termo para a fixação da planta na terra, feito pelo babalorixá Edvaldo Sátiro dos Santos, que tem no candomblé o nome sagrado de Osi Ojé Dudu, do tereiro Ilê Axé Babá Aboumlá, situdo em Itaparica.
O baobá é uma planta africana. Acreditamos que ela é a morada de todas as divindades, mas especificamente de Obaluaê, pois em suas várias peregrinações pela terra era à sua sombra que ele descansava, se alimentava das suas folhas e tomava a água que ela conserva, explicou o babalorixá.
O secretário municipal da Reparação, Gilmar Santiago, destaca que a iniciativa é unir preservação ambiental e respeito às religiões afro-brasileiras. É uma forma de estarmos preservando temas importantes para todos nós, completou.