SALVADOR
Parte da Faculdade de Medicina do Terreiro é restaurada

A Ala Nobre do complexo monumental da Faculdade de Medicina da Bahia (FMB) abriu as portas, nesta quarta, 01, com nova infraestrutura, para receber autoridades federais, estaduais e municipais, que comemoraram a conclusão da primeira etapa do processo de restauração do complexo. A mudança de todo o forro, sistema elétrico e de ar-condicionado, assim como a recuperação estrutural e de pinturas artísticas e decorativas, faz parte dos trabalhos de restauração entregues nesta quarta à tarde.
O governador Jaques Wagner, o reitor da Ufba, Naomar de Almeida Filho, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, e o presidente da FMB, José Tavares Neto, estavam entre as autoridades presentes. Para a arquiteta Naia Alban, coordenadora do projeto, a principal obra foi a mudança estrutural da cobertura. “É ela que protege todo o patrimônio e foi a grande responsável pela deterioração do complexo. Colocamos uma sequência de calhas, o que torna possíveis visitas de manutenção permanente”, destaca. Naia recomenda que a instituição faça manutenção e recuperações periódicas no imóvel para evitar a degradação.
Parte das atividades da FMB já é realizada no complexo, que manteve o funcionamento durante a restauração. O imóvel, localizado no Largo do Terreiro de Jesus (Centro Histórico de Salvador), foi a sede da primeira instituição de ensino superior do país e da primeira faculdade de medicina da América Latina. O imóvel faz parte de um conjunto arquitetônico tombado pela Unesco. “Aqui está a raiz da Ufba e do ensino universitário do país”, destacou Naomar de Almeida.
Conforme o reitor, em maio do próximo ano, mais uma etapa da restauração deverá ser entregue. Já há projetos prontos que dão seguimento à recuperação do imóvel, assim como relatórios, elaborados pelos arquitetos envolvidos, que especificam necessidades futuras. Prospecções realizadas nesta etapa também apontam a presença de mais pinturas artísticas nas paredes. Entretanto, nem todas foram recuperadas porque o recurso do projeto foi destinado à obra civil.
O acabamento da fachada principal da Ala Nobre também não foi concluído porque a equipe encontrou ossos humanos ao tentar solucionar um problema de umidade no subsolo. Técnicos avaliam a relevância histórica do fato.
As obras da primeira etapa de restauração, com projeto coordenado e executado pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Extensão (Fapex), foram patrocinadas pela Petrobras, em iniciativa aprovada pelo mecanismo do Mecenato da Lei Rouanet.
O complexo arquitetônico da FMB possui uma área construída superior a 20 mil metros quadrados, sendo que a restauração da Ala Nobre envolveu cerca de 7,5 mil metros quadrados. O imóvel, que está dividido em Ala Nobre e Ala Nordeste, conjunto de pavilhões e biblioteca, conta com três prédios anexos e pátios.