SALVADOR
Passeata reivindica direitos para deficientes físicos

“Somos todos iguais. Ajude-nos”. A frase era o destaque nas faixas que manifestantes seguravam na caminhada pelo Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, nesta tarde de sexta-feira, 21 de setembro.
A passeata, promovida pela Associação Baiana de Deficientes Físicos (Abadef), saiu da Praça da Sé, com destino a Praça Municipal, com o objetivo de mostrar a população e ao governo que os deficientes fazem parte da sociedade e que não estão satisfeitos com a falta de infra-estrutura da cidade, mostrando claramente quanto são inacessíveis os seus equipamentos urbanos.
De acordo com o Coordenador do evento e integrante da Abadef, Fernando Filho, o movimento é uma forma de fazer o governo e a população compreenderem que deficientes físicos fazem parte da sociedade como qualquer outro cidadão.
Fernando não tem parte do braço direito. Ele trabalha como auxiliar administrativo e é um desportista, pratica a arte marcial Tae Kwon Do. “Somos pessoas também. Temos alguma deficiência, mas não deixamos de existir por isso, nem ficamos inutilizados. Eu trabalho, pratico esporte, faço parte de movimentos sociais a favor dos deficientes físicos, e ainda quero fazer muito mais”, declara o coordenador.
Além dos deficientes, o movimento também reuniu familiares e simpatizantes da causa, todos juntos, reivindicando acessibilidade como um direito de todos. Maria do Carmo é mãe de um deficiente e luta contra o preconceito da sociedade. “Luto para que os deficientes sejam atendidos com igualdade e que sejam respetaidos os seus direitos”, declara.
Segundo Fernando, os deficientes, que fazem parte de 10% da população baiana, são esquecidos e vivem em descaso pela falta de estrutura que as cidades baianas oferecem. Em Salvador, apenas 216 ônibus são específicos para o transporte de cadeirantes, para atender mais de 400 bairros existentes na capital.
No esporte, segundo Fernando, não há investimento para que se possa desenvolver um trabalho que atenda a classe. “Sou um atleta, e saio daqui da Bahia para competir em outro estado, porque aqui não há competição”, afirma.
Entre as reivindicações dos manifestantes, a falta de oportunidade de emprego também é significativa. As empresas privadas são obrigadas por lei, a destinar 5% das vagas do quadro de funcionários para deficientes físicos. No que se refere as empresas públicas esse percentual varia entre 2% a 5%, a depender do número de funcionários da instituição, mas o percentual é pouco, segundo a Abadef e as empresas não dispõem de estrutura para acessibilidade.