SALVADOR
Pastor nega participação na morte de Lucas Terra

Por Danile Rebouças, do A TARDE
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Três horas de interrogatório. Este foi o tempo empreendido na tentativa de elucidar o envolvimento de mais um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), Fernando Aparecido, no assassinato do adolescente Lucas Terra, em 2001.
Aparecido negou para o juiz Vilebaldo Freitas – 2ª Vara Crime (Fórum Ruy Barbosa) – as acusações feitas pelo Ministério Público através de ação penal e insinuou a participação de outra pessoa – Luciano Miranda. Ele alegou que o ex-pastor Sílvio Galiza, que cumpre pena pelo crime na Penitenciário Lemos Brito e é autor das acusações, tem problemas psicológicos.
Galiza permaneceu durante o interrogatório em uma sala restrita, no Fórum Ruy Barbosa, em virtude da possibilidade de ser solicitada sua presença. Para o promotor Davi Gallo Barough, as respostas de Fernando Aparecido foram contraditórias, se comparadas com depoimentos prestados por ele anteriormente. Segundo o MP, a pessoa apontada por Aparecido não seria o quarto envolvido no caso.
Davi Gallo frisa que Luciano Miranda já foi interrogado e os autos não apontam nada que lhe comprometa. “Tenho certeza de quem seria o quarto participante. Mas ainda não tenho provas, então, não posso falar”. Para Gallo, trata-se de alguém ligado à Iurd.
A família de Lucas Terra assistiu ao interrogatório de luto. Marion, mãe do garoto, preferiu não dar declarações. Durante a audiência, foi apoiada pelos filhos Carlos Terra Júnior, 33 anos, e Felipe Terra, 28 anos. Carlos Terra, pai de Lucas, optou por esperar fora do salão do júri.
Revisão – Lucas Terra, fiel da Iurd, segundo os autos do processo, sofreu abuso sexual, foi torturado e queimado ainda vivo. O ex-pastor Galiza cumpre pena de 15 anos e acusou os pastores Fernando Aparecido e Joel Miranda de envolvimento no crime. Eles tiveram prisão preventiva decretada mês passado. Joel ainda não foi localizado.
O advogado de Galiza, Sérgio Habib, espera o resultado dos interrogatórios dos dois acusados para avaliar pedido de revisão criminal do seu cliente. Segundo ele, Galiza vai provar que não é autor do crime e, com isso, pode conseguir reduzir a pena.
O advogado de defesa do pastor Fernando, Mário de Oliveira Filho, insinuou uma possível ligação entre as denúncias feitas por Galiza contra os dois pastores e a proximidade da possibilidade da pena ser minimizada.
Para Mário, se o fato fosse verídico Galiza deveria tê-lo apresentado antes mesmo de ser sentenciado. Mário garantiu que entrará nesta quarta-feira com pedido de habeas corpus. O criminalista também defende o pastor Joel, mas afirmou não saber de seu atual paradeiro.
Nesta próxima quinta, às 9h, o pastor Sílvio Galiza será ouvido pelo juiz Vilebaldo. Na próxima terça-feira está prevista a acareação entre os pastores Sílvio Galiza e Fernando Aparecido, que permanece preso na Polinter.
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