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Pituba tem mais policiais por habitante que área do subúrbio

Franco Adailton
Por Franco Adailton
| Atualizada em
Adilma Pinheiro (Escada) tem menos policiais, mas gosta do lugar; já Paulo Carvalho (Pituba) reclama
Adilma Pinheiro (Escada) tem menos policiais, mas gosta do lugar; já Paulo Carvalho (Pituba) reclama - Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE

A Região Integrada de Segurança Pública (Risp) Baía de Todos-os-Santos concentra 174 (29,4%) dos 591 crimes violentos letais intencionais, ou homicídios, ocorridos nos cinco primeiros meses deste ano em Salvador.

Na região, a Área Integrada de Segurança Pública (Aisp) com mais mortes foi a 5ª (Periperi), com 97 vítimas - uma a mais do que o registrado no mesmo período de 2012.

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A área é formada por 15 bairros, com cerca de 340 mil pessoas, em um perímetro aproximado de 25,4 km², conforme dados do IBGE (2010).

Com uma Base de Segurança, duas delegacias e três companhias da Polícia Militar, 736 servidores se dividem na média de um policial para 462 habitantes.

O número está aquém do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que sugere, pelo menos, um policial para 250 pessoas.

As estatísticas passam ao largo do sentimento que os moradores do subúrbio têm pela região. São pessoas como a administradora Adilma Pinheiro, 44, que mora em Escada há 14 anos, em uma casa de três andares: "Assim como eu, muitos vizinhos não saem daqui por nada. É um lugar incrível, maravilhoso", diz.

Situação diferente é vivida por alguns moradores da 16ª Aisp (Pituba), que registrou o menor número de mortes em 2013 (duas, igual ao verificado no mesmo período de 2012).

Formada por Pituba, Itaigara e Caminho das Árvores, com cerca de 88 mil habitantes, a região conta com 410 policiais (militares e civis) ou um policial para 215 moradores, nos padrões da ONU.

Apesar dos números relativos a crimes contra a vida, o engenheiro agrônomo Paulo Carvalho, 50, cujo pai mora na Rua Território do Guaporé, diz que os casos de assaltos são muitos.

Para ele, a sensação de insegurança prevalece, mesmo em um bairro planejado, com prédios luxuosos, repleto de câmeras, grades e porteiros. "Dá para andar tranquilo de dia, mas à noite...", aponta.

Análise - Pesquisador do Laboratório de Estudos de Segurança Pública, Cidadania e Solidariedade, da Universidade Federal da Bahia (Lassos/Ufba), o sociólogo Luiz Lourenço observa "uma espacialização dos crimes ocorridos na cidade".

Na avaliação do estudioso, para haver redução dos crimes na capital baiana e municípios da região metropolitana, sobretudo os praticados contra a vida, é preciso rever os sistemas legal e prisional.

"A presença da polícia, para reduzir a sensação de insegurança, é bem importante quando há condições para as pessoas não irem para o crime", frisa.

Meta do Estado - A distribuição dos homicídios na Grande Salvador foi discutida semana passada na reunião do Comitê Executivo do Programa Pacto Pela Vida, que ocorre a cada 15 dias e reúne membros do Executivo, da Assembleia Legislativa, da Justiça e do Ministério Público estadual.

De janeiro a 15 de maio, foram registrados 591 homicídios na capital, que é dividida em três regiões: Baía de Todos-os-Santos, Atlântico e Central. No mesmo período de 2012, foram 685 mortes, uma redução de 13,7%.

Nas cidades da região metropolitana, os homicídios caíram 25,5% (de 372 para 277). A Risp da Região Metropolitana é formada por sete áreas e 12 cidades: Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho, Candeias, Dias D'Ávila, Pojuca, Itaparica, Vera Cruz, Mata de São João, Madre de Deus, São Francisco do Conde e São Sebastião do Passé.

O titular da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Maurício Teles Barbosa, informa que a meta é reduzir os homicídios em 6% este ano. "Estamos acima da meta", afirma, ao acrescentar um declínio de 40% das mortes no interior do Estado.

Barbosa aponta queda de 30% nos roubos de veículos e de 50% nos assaltos a ônibus. "Mas não adianta reduzir os crimes se não cair a sensação de insegurança", pondera. Para ele, a logística policial vai além da matemática: "Temos que enfrentar crimes contra a vida, mas também evitar os ataques ao patrimônio".

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