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Estudantes desenvolvem biofilme à base de fruta cultivada na Bahia

Produto aumenta tempo de prateleira do alimento em mais de 12 dias

Publicado segunda-feira, 18 de março de 2024 às 02:21 h | Autor: Da Redação
O rambutan é cultivado comercialmente na Bahia
O rambutan é cultivado comercialmente na Bahia

O rambutan, um fruto de origem asiática, é cultivado comercialmente na Bahia, principalmente nas cidades de Una, Ilhéus, Camamu e Ituberá, e no Pará. Essa árvore tropical, com potencial de atingir até 12 metros de altura, é reconhecida pela sua floração e frutificação. Para além dessas características, os estudantes do Instituto Federal Baiano (IFBaiano), Campus Catu, Eduarda Mainah, Vinícius de Jesus, Helena Menezes e Ester da Conceição, sob orientação de Saulo Capim, descobriram que as cascas do fruto podem ser aproveitadas na produção de biofilme, um tipo de polímero desenvolvido a partir de materiais biodegradáveis.

O orientador da pesquisa explica quais são as etapas de fabricação do produto. “O processo de produção é realizado a partir das cascas do fruto Nephelium lappaceum, o rambutan. Os frutos são adquiridos no centro de abastecimento de Salvador e, em seguida, higienizados e separados da polpa. Depois, as cascas são secas em estufa para preparação do extrato. Para a produção dos biofilmes, o extrato proveniente da casca do fruto é incorporado na formulação, juntamente com farinha de mandioca e glicerina”.

As pesquisas e o processo de fabricação estão em fase de finalização e já demonstram resultados positivos. “Os experimentos confirmaram que frutos conservados com o biofilme produzido a partir do extrato da casca do rambutan conseguem aumentar o tempo de prateleira em mais de 12 dias fora da geladeira, sem perder os nutrientes e a qualidade do alimento”, diz Saulo.

Segundo os pesquisadores, o produto tem baixo custo de fabricação e pode ser utilizado na indústria de embalagens plásticas. “Os biofilmes possuem ação antioxidante e contra diversos tipos de bactérias que contribuem para degradação de alimentos. O produto apresenta várias vantagens econômicas, dentre elas o custo de produção, que é muito baixo, tendo em vista o quantitativo de alimentos que são desperdiçados no mundo. O biofilme custa cerca de R$0,47 centavos para dimensões de 24cm2”, afirma Saulo.

O projeto, que tem co-orientação das professoras Cassiane da Silva e Alexandra Souza, tem apoio do IFBaiano, por meio do edital da Pró-reitoria de Pesquisa da instituição e uma bolsa de iniciação científica para ensino médio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “O próximo passo agora é finalizar os últimos testes de resistência, análises termogravimétricas, elasticidade e buscar recursos advindos de editais de incentivo ao empreendedorismo e inovação para abrir uma startup e levar o produto para o mercado de embalagens no país”, projeta o orientador.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) estreou no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, 8 de julho de 2019, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias são divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail [email protected].

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