ACIDENTES
Evento debate custos milionários e violência no trânsito de Feira
Forças de segurança e gestores da saúde defendem prevenção e educação como caminhos

A violência no trânsito em Feira de Santana foi tema de debate, nesta terça-feira, 27, no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), reunindo representantes do Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) e da área da saúde para discutir os impactos humanos, sociais e financeiros dos acidentes nas vias urbanas e rodovias.
De acordo com a diretora do HGCA, Cristiana França, cerca de 80% dos casos de politrauma atendidos na unidade de saúde são decorrentes de acidentes de trânsito, com 3.339 atendimentos desse tipo registrados em 2025, um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior. "Esses índices representam um grande impacto no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma internação de politraumatizado em UTI pode custar cerca de R$ 5 mil por dia. Já os atendimentos em enfermarias variam de R$ 1 mil a R$ 2 mil por dia. São valores que poderiam ser empregados em outras áreas da saúde", pontuou.
O comandante do Corpo de Bombeiros, Adriano Bertolino, destacou a atuação da corporação de forma integrada com o SAMU, PRF, Polícia Militar e DNIT, especialmente em ocorrências graves, como quando há vítimas presas às ferragens. Ele enfatizou que ações preventivas com campanhas educativas e palestras em escolas são uma prioridade para reduzir sinistros no trânsito.
Agravantes
A inspetora da PRF, Lívia Marcelino, chamou atenção para fatores que contribuem para a violência no trânsito, como o crescimento da frota de motocicletas, condições estruturais inadequadas em trechos como o Anel de Contorno, que apresenta buracos, falhas de sinalização e iluminação deficiente, além da imprudência de condutores.
Durante o encontro, Marcelino também alertou para os altos custos financeiros dos acidentes no país. "O Brasil gasta cerca de R$ 449 milhões por ano com sinistros de trânsito, um valor alto, que poderia, por exemplo, ser usado, para comprar milhares de ambulâncias para reforçar o trabalho das equipes de saúde", afirmou a inspetora.
Fiscalização
O superintendente da SMT, Ricardo da Cunha, ressaltou que Feira de Santana busca reduzir os sinistros com uma combinação de fiscalização mais rigorosa, intensificação da Lei Seca e programas de educação no trânsito, principalmente nas escolas. Ele destacou que a intenção da fiscalização é prevenir acidentes, não apenas punir infrações. "A fiscalização não tem como objetivo principal a punição pura e simples, mas sim a prevenção de acidentes", reforçou, anunciando anunciou a realização de um Congresso Nacional de Trânsito em maio, com especialistas de todo o país, com o objetivo de transformar Feira de Santana em referência na área.
*Kenna Martins é correspondente do Grupo A Tarde em Feira de Santana
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