BAHIA
Passa bem índio queimado em Feira de Santana

A disputa por uma mulher pode ter sido a causa de uma tentativa de homicídio em Feira de Santana (a 108 km de Salvador). Edvaldo Bezerra da Silva, 39 anos, teve 50% do rosto e todo o pescoço queimados, depois que um homem jogou álcool e ateou fogo. O fato ocorreu em uma favela situada nos fundos do SAC, no centro da cidade, na madrugada de terça-feira, mas o fato só veio à tona na noite desta quarta, 30, quando a vítima deu entrada no Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) com as queimaduras infeccionadas.
Segundo uma testemunha que não quis ser identificada, Edvaldo mora em um barraco na favela há cerca de 5 meses e sobrevive da reciclagem de papelão e plásticos. Na madrugada de terça, ele teria discutido com um homem, por causa de uma ex-namorada de prenome Samara, e o homem teria queimado a vítima. “Ele já estava com o álcool nas mãos, acho que era para acender algum fogo, mas após a briga ele jogou no Índio e ateou fogo”, contou. Mesmo ferido, Edvaldo tentou ir atrás do acusado, mas foi contido por populares.
No hospital, médicos e enfermeiras tentavam convencer a vítima de que ele teria que ser transferido para a clínica de queimados do Hospital Geral do Estado (HGE). “Não quero ficar aqui, não sinto dor e quero voltar para meu barraco, pegar minhas coisas e seguir viagem”, era o que ele repetia, diante da insistência dos médicos.
Pataxó - Edvaldo afirmou ser índio da tribo Pataxó em Pernambuco, mas não deu detalhes sobre a aldeia. Ele assinou um termo de responsabilidade e deixou a unidade hospitalar.
O delegado Mateus Souza esteve no HGCA e conversou com Edvaldo que não quis prestar nenhuma informação de quem poderia ter cometido o crime. O delegado irá informar à FUNAI sobre o caso para tentar encontrar a aldeia a que a vítima pertence.
“Já temos algumas pistas e é uma questão de tempo para localizar quem cometeu esta tentativa de homicídio. Embora ele não tenha nenhum documento, vou comunicar o fato à FUNAI para que eles tomem as medidas necessárias do caso”, afirmou.
Edvaldo Bezerra tem características indígenas e usa acessórios como colares e brincos. Ele diz
que saiu da tribo há cerca de 6 meses para procurar a filha mais nova, que teria sido levada pela mãe após a separação. “Meu objetivo é ir à televisão localizar a minha filha. Não sossego enquanto não encontrá-la”, revelou.